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30 milhões de hectares queimaram no Brasil em 2024, valor 62% acima da média
Foto: Reprodução

Pela primeira vez, florestas são as mais afetadas pelo fogo na Amazônia, indicando mudança na dinâmica da floresta tropical, mostra análise do MapBiomas

Em 2024, as queimadas atingiram 30 milhões de hectares do território brasileiro, uma área do tamanho da Itália, mostra a primeira edição do Relatório Anual do Fogo (RAF) do MapBiomas, lançado nesta terça-feira (24). O total queimado no ano passado foi 62% acima da média histórica, aponta a análise.

 

De forma geral, os mega eventos de fogo marcaram 2024 – 29% do total queimado foi em mega eventos com mais de 100 mil hectares afetados, ao contrário do que acontecia anteriormente, quando a maior proporção de queimadas era em áreas de 10 a 250 hectares. Além disso, os dados mostram que Amazônia, Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica registraram aumento expressivo na área atingida, também em comparação com a média histórica.

 

Em termos de extensão, a Amazônia, um dos biomas mais importantes para o equilíbrio ecológico e climático do planeta, foi o bioma que mais sofreu com o fogo no ano passado. Foram 15,6 milhões de hectares queimados, um valor 117% superior à sua média e a maior cifra desde 1985, quando a série histórica foi iniciada.

 

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Segundo o MapBiomas, além do recorde em extensão, 2024 também marcou uma mudança em termos qualitativos: pela primeira vez, as florestas foram o tipo de cobertura vegetal mais afetado no bioma: foram 6,7 milhões de hectares de formações florestais atingidas. Até então, as pastagens eram o tipo de cobertura que mais queimava.

 

De acordo com pesquisadores responsáveis pela análise, essa mudança já indica que a dinâmica da floresta está mudando, tornando-se mais suscetível ao fogo. O dado acende um alerta que vem sendo dado por cientistas climáticos há alguns anos: a Amazônia, em algumas áreas localizadas, pode estar entrando em processo de savanização.

 

“O fogo não é um elemento natural da dinâmica ecológica das florestas amazônicas. As áreas queimadas que marcaram o bioma em 2024 são resultado da ação humana, especialmente em um cenário agravado por dois anos consecutivos de seca severa. A combinação entre vegetação altamente inflamável, baixa umidade e o uso do fogo criou as condições perfeitas para a propagação do mesmo em larga escala, levando a um recorde histórico de área queimada na região.” afirma Felipe Martenexen, coordenador de mapeamento do bioma Amazônia do MapBiomas.

 

As informações levantadas pelo MapBiomas complementam os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que atribuiu o aumento de 91% no desmatamento no bioma em maio às queimadas. Ao apresentar os dados, no dia 6 de junho, o governo federal alertou que a degradação da floresta tem agora um novo perfil, efeito das mudanças climáticas e das grandes secas consecutivas. Ao sofrer com incêndios repetitivos, a floresta perde a capacidade de se regenerar.

 

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“É uma realidade nova. De certa forma, tínhamos a expectativa de que a floresta úmida não seria vítima dessa realidade [climática de forma] tão grave como as florestas temperadas. No entanto, estamos assistindo uma situação dramática aqui no Brasil”, disse, na ocasião, João Paulo Capobianco, secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). 

 

Fonte: O Eco

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