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A água que falta nas torneiras começa no esgoto que sobra nos rios
Foto: TRT RJ/Flickr

A crise hídrica na região metropolitana do RJ não pode ser entendida apenas como um problema de escassez natural, mas como resultado de uma gestão pública que historicamente negligenciou o saneamento

A crise climática, provocada sobretudo pela ação humana, é um fenômeno global que impacta intensamente a vida urbana. O excesso de gases de efeito estufa na atmosfera intensifica o aquecimento do planeta e desregula os regimes climáticos, gerando ondas de calor, estiagens prolongadas e chuvas cada vez mais intensas e concentradas.

 

Esses eventos extremos não afetam apenas os ecossistemas, mas também a saúde, a economia e a segurança das populações, ampliando desigualdades já existentes. Nesse contexto, as cidades, pela sua densidade populacional e dependência de infraestrutura, tornam-se espaços especialmente vulneráveis que exigem respostas rápidas e planejadas.

 

Na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, a crise climática encontra terreno fértil para se manifestar, sobretudo na questão da água. A crise hídrica do território não é apenas resultado das mudanças no regime de chuvas, mas também de problemas estruturais e históricos de saneamento básico.

 

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A ausência de coleta e tratamento de esgoto compromete a qualidade dos mananciais que abastecem milhões de pessoas, como os sistemas Guandu e Imunana-Laranjal, tornando o processo de tratamento mais caro e menos eficiente. Isso acontece porque quanto mais suja a água chega, maior é a quantidade de produtos e etapas necessárias para deixá-la própria para consumo. Além disso, o despejo de resíduos sem tratamento em rios e lagoas reduz a disponibilidade de água em condições seguras para consumo e expõe comunidades de baixa renda a maiores riscos sanitários.

 

Essa realidade é agravada pela desigualdade no acesso à água. Enquanto áreas centrais e bairros nobres contam com fornecimento mais estável, regiões da Baixada Fluminense e da Zona Norte convivem com interrupções frequentes e longos períodos sem abastecimento. Um estudo da Casa Fluminense, publicado em abril de 2022, revela que cerca de 20% das famílias cadastradas na plataforma não têm acesso à rede geral de distribuição, dependendo de poços, nascentes ou cisternas.

 

Por que o despejo de esgoto sem tratamento nos rios é um problema? – Portal  Folha Babitonga

Foto: Reprodução

 

No mesmo estudo, em depoimento, uma moradora de Queimados ilustra a gravidade da situação: “Vala a céu aberto e sumidouro do lado do poço são coisas comuns por aqui. O povo não pode achar normal ter que ferver água do poço para beber, isso não é normal. Todo mundo tem direitos e deveres, o poder público, ou quem quer que seja responsável agora, tem que vir aqui fazer transformação.” O Painel Climático, também da Casa, expõe a ausência de planos de saneamento em 4 dos 22 municípios metropolitanos, revelando um cenário de abandono histórico.

 

A crise hídrica na região, portanto, não pode ser entendida apenas como um problema de escassez natural, mas como resultado de escolhas políticas e de uma gestão pública que historicamente negligenciou o saneamento básico e a preservação ambiental. Nesse sentido, a crise climática intensifica fragilidades já existentes, colocando em evidência a falta de infraestrutura adequada, a desigualdade social e a precariedade de políticas de adaptação.

 

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Diante desse cenário, a gestão pública tem papel central e inadiável. É necessário planejar e implementar políticas integradas que articulem crise climática, crise hídrica e saneamento, buscando não apenas mitigar impactos, mas também prevenir riscos futuros. Garantir a segurança hídrica na Região Metropolitana do Rio de Janeiro significa, ao mesmo tempo, assegurar saúde pública, justiça social e adaptação climática. Mais do que uma resposta emergencial, trata-se de uma agenda estratégica para o futuro da cidade e para a qualidade de vida das próximas gerações. 

 

Fonte: O Eco

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