A economia brasileira está de fato desacelerando? Essa é a pergunta do momento e ela não pode ser respondida com uma olhada rápida nos últimos indicadores. O desemprego, por exemplo, teve alta em março para 7%, mas é sazonal. É menor, contudo, do que o do mesmo período do ano passado, quando era de 7,9%.
Os indicadores de comércio, serviços e indústria também precisam ser olhados por dentro. Apesar dos resultados positivos, alguns até recorde para o período como o do comércio, quando se compara com o ritmo recente, há desaceleração. Os sinais mistos, de fato, dificultam o entendimento. A ata do Copom, divulgada esta semana, fala que há incipientes sinais de moderação no crescimento.
No dia 4 de junho, será divulgado o PIB do primeiro trimestre e todo mundo já sabe que vai ser muito positivo, talvez até maior do que o apurado de janeiro a março do ano passado. O resultado pode dar a impressão de que a economia está crescendo muito, esse ritmo, no entanto, não se manterá pelos próximos trimestres. O Brasil está passando por um choque de juros, o patamar atual é considerado contracionista pelo próprio Banco Central. No entanto, a política monetária tem efeito com defasagem. Demora um tempo até que a elevação da Selic, que chegou este mês a 14,75%, se reflita no nível de atividade econômica.
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E esse efeito não levará a uma mudança abrupta no ritmo de crescimento. Até porque alguns fatores vão sustentar a atividade. A super safra prevista para este ano, por exemplo, precisará ser escoada e isso fará com que os transportes, que apresentaram forte crescimento nos dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de março, tenham novos resultados positivos.
Quando será o "vale", como classificou o economista Étore Sanchez, da Ativa Investimento, a fase de aprofundamento dessa desaceleração? Ela deve vir no segundo semestre. E isso não significa, reforço, que a economia vai despencar, tanto é que vários analistas estão revendo para cima as projeções de crescimento, admitindo que está havendo desaceleração, mas não tão intensa quanto imaginavam no início deste ano. Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, subiu sua projeção de 1,7% para 2%. Vale lembrar que nos últimos dois anos o Brasil cresceu na casa dos 3%. O Itaú, por sua vez, manteve sua projeção para o PIB, que já era de alta de 2,2%, mas reduziu, nesta sexta-feira, de 15,25% para 14,75% a previsão para a Selic ao fim deste ano, entendendo que a economia já mostra efeitos da política monetária.
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O que o Banco Central persegue ao manobrar a taxa de juros básica da economia é levar a inflação para a meta ou, ao menos, para convergir a ela. Até aqui, todas as previsões são de um IPCA em torno de 5,5%, o que é um ponto percentual acima do teto. Mas o recado da ata do Copom é que a economia está desacelerando, são sinais incipientes, mas a política monetária continua fazendo efeito sobre a economia, ressalta o comitê. E, como já disse, isso será mais evidente no segundo semestre.
Fonte: O Globo