Com óculos inteligentes, broches e assistentes avançados, empresas tentam mudar a forma como as pessoas se conectam ao mundo digital e desafiar Apple e Google.
Durante uma entrevista recente, uma pergunta aparentemente simples de Laurene Powell Jobs a Sam Altman e Jony Ive acendeu o debate no setor de tecnologia: qual é o futuro do smartphone na era da inteligência artificial? Embora evasivos sobre o novo projeto em desenvolvimento, os dois deixaram claro que a experiência proposta será muito diferente da oferecida pelo iPhone, criado por Ive ao lado de Steve Jobs. Para Altman, usar um smartphone hoje se assemelha a caminhar pela Times Square, cercado de estímulos visuais e sonoros constantes. A corrida para criar uma alternativa já começou.
Há mais de 20 anos, smartphones dominam a forma como as pessoas interagem com o mundo digital. Esse domínio consolidou um dos duopólios mais lucrativos da história, formado pela Apple, com o iPhone, e pelo Google, com o Android, sistema operacional que equipa a maioria dos demais aparelhos. Apesar da rivalidade histórica, as duas empresas aprofundam a cooperação na era da IA: recentemente, anunciaram que a Apple passará a usar modelos Gemini, do Google, para aprimorar a Siri em versões futuras.
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Essa aliança, porém, não freou os concorrentes. A OpenAI afirmou que pretende lançar seu próprio dispositivo ainda neste ano. Pouco depois, surgiram informações de que a Apple trabalha em um broche vestível com recursos de inteligência artificial. A Meta, por sua vez, vem apostando em óculos inteligentes e redirecionando investimentos antes focados em realidade virtual. Já a Amazon lançou a Alexa+, uma versão mais avançada de sua assistente, com planos de expandi-la para óculos e fones de ouvido inteligentes.
O cenário também pressiona o mercado tradicional de smartphones. Segundo a Counterpoint Research, os envios globais devem cair 6% neste ano, sem perspectiva de recuperação até 2027. Entre os fatores estão o aumento expressivo no custo de chips de memória, impulsionado pela demanda de data centers, e a crescente competição por capacidade de produção nas fundições, agora mais interessadas em chips voltados à IA, como os da Nvidia.
Além das dificuldades industriais, há incentivos econômicos para romper com o modelo atual. Desenvolvedores reclamam há anos das taxas cobradas pelas lojas de aplicativos da Apple e do Google, que podem chegar a 30%. Empresas como a OpenAI veem nesses novos dispositivos uma chance de reduzir essa dependência. A Meta e a Amazon, por sua vez, enxergam oportunidades de coletar mais dados e fortalecer seus modelos de publicidade e comércio eletrônico.
Apesar do entusiasmo, a ameaça ao smartphone ainda é limitada. Estima-se que existam cerca de 15 milhões de usuários de óculos inteligentes no mundo, enquanto a Apple vendeu aproximadamente 250 milhões de iPhones apenas no último ano. Além disso, os novos dispositivos enfrentam desafios técnicos importantes, como superaquecimento, autonomia de bateria e preocupações com privacidade problemas que já derrubaram iniciativas anteriores, como os óculos do Google em 2014 e o broche da startup Humane.
Especialistas avaliam que, ao menos no curto prazo, smartphones continuarão sendo o centro do processamento pesado, enquanto dispositivos vestíveis funcionariam como extensões. O próprio Mark Zuckerberg já afirmou que os usuários não abandonarão seus celulares, mas apenas passarão menos tempo olhando para eles, assim como os smartphones não eliminaram o uso de computadores pessoais.
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Enquanto isso, Apple e Google se movimentam para não perder espaço. A Apple investe em óculos inteligentes baseados na tecnologia do Vision Pro, e o Google lançou o Android XR, plataforma voltada a dispositivos de realidade estendida. No fim das contas, a maior mudança pode não ser o fim do smartphone, mas uma reorganização do poder dentro do duopólio especialmente se a IA redefinir quem controla os dados e a experiência digital dos usuários.