A guerra, que começou em 7 de outubro de 2023 com um ataque mortal do Hamas contra Israel, deixou mais de 1,2 mil mortos naquele dia
Após 15 meses de guerra, Israel e o Hamas chegaram a um acordo de cessar-fogo em Gaza, que também prevê a libertação de reféns israelenses e prisioneiros palestinos. Mas ainda há questões não resolvidas, conforme o gabinete do premiê israelense, Benjamin Netanyahu, que espera que soluções sejam encontradas nas próximas horas.
As famílias dos reféns se encontram com os nervos à flor da pele, seja daqueles incluídos na primeira parte do acordo, ou restantes, cujo destino ainda é incerto.
Uma emoção “indescritível”. A família Sharabi perdeu quatro membros desde 7 de outubro de 2023. Nesse momento, eles aguardam o retorno de Elie, o único suposto sobrevivente. “Faremos de tudo para trazê-lo de volta”, diz Sharon, seu irmão, em Israel.
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“Antes de mais nada, este é um momento muito intenso na história do país, depois de uma jornada muito longa, difícil e exaustiva de quase 16 meses. Este não é apenas um evento particular para nossa família. É uma celebração para todo o povo israelense”, disse Sharon Sharabi à RFI.
Originário do Iraque, Shlomo Mantzur, 86 anos, é o mais velho dos reféns. Sua irmã, Hadassah, diz que está “cheia de fé e esperança”. “Estamos no meio de uma enxurrada de emoções até que tudo acabe. Ainda não acabou! Enquanto não pudermos ver Shlomo aqui, enquanto não pudermos abraçá-lo, não conseguirei me acalmar”, declarou.
Apesar da intensa emoção, a palavra de ordem para as famílias é cautela, uma vez que a fragilidade do acordo de cessar-fogo é um consenso entre as famílias dos reféns.
A guerra, que começou em 7 de outubro de 2023 com um ataque mortal do Hamas contra Israel, deixou mais de 1.200 pessoas mortas naquele dia. Entra posteriormente nessa contabilidade o número devastador de 46.000 palestinos mortos em Gaza por bombardeios israelenses.
Os 467 dias de guerra devastaram totalmente o enclave palestino. Em Deir el Balah, no centro da Faixa de Gaza, Louay, como todos os habitantes de Gaza, espera impacientemente que o cessar-fogo entre oficialmente em vigor.
“Há um milhão e 500 mil pessoas deslocadas aqui em Deir el Balah e na zona humanitária. Estamos no meio da noite e as pessoas ainda estão nas ruas comemorando o anúncio do cessar-fogo”, declarou à RFI.
Para Denis Charbit, professor de ciência política da Universidade Aberta de Israel, “é um alívio”. “Um alívio misturado com covardia, porque 33 dos 98 reféns foram libertados, mas isso significa que ainda restam dois terços deles nas mãos do Hamas, vivos ou mortos, sem nenhuma informação sobre eles”, detalha.
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“Então, sim, é um alívio, porque percebemos que a perspectiva de um acordo que incluísse todos os reféns provavelmente não é viável. E eu diria, aliás, que a atenção em Israel esta noite está dividida, mas exclusivamente focada na libertação iminente desses 33 reféns, e absolutamente não no fim dos combates. Isso é significativo para todas as famílias israelenses que têm seus filhos como reservistas ou soldados do contingente. A atenção está exclusivamente centrada no sofrimento de um terço dessas famílias, que deve chegar ao fim nas próximas semanas”, aponta Charbit.
Fonte: Metrópoles