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SEGREDOS DE BASTIDORES
*Por Antônio Zacarias - Na política, existe uma regra silenciosa: governantes raramente recuam quando acreditam estar fortes.
Quando recuam, geralmente é porque perceberam que o custo de manter uma decisão ficou maior do que o benefício.
Foi exatamente isso que aconteceu no caso dos R$ 100 milhões da UEA.
O DECRETO
A retirada dos recursos da Universidade do Estado do Amazonas não passou despercebida.
Pelo contrário. A medida atingiu uma área extremamente sensível: a educação. E mexer com a UEA significa mexer com estudantes, professores, servidores, pesquisadores e milhares de famílias espalhadas por todo o interior do Amazonas.
A REAÇÃO
O que poderia ser apenas um debate técnico rapidamente virou um problema político.
O senador Omar Aziz levou o assunto para a tribuna do Senado.
David Almeida entrou na discussão através das redes sociais.
Outros políticos passaram a comentar o caso.
A pauta ganhou corpo. E começou a sair do controle do governo.
O SINAL DE ALERTA
Nos bastidores, o problema não era apenas o decreto. Era a narrativa que estava sendo construída.
A oposição passou a explorar a ideia de que recursos da educação estavam sendo utilizados para cobrir o rombo milionário na Amazonprev.
Quando uma narrativa dessas começa a ganhar força, ela se transforma rapidamente em desgaste político.
Principalmente em período pré-eleitoral.
A MARCHA À RÉ
Foi então que veio o recuo. Roberto Cidade, o “Cocô de Ouro”, anunciou que tornaria sem efeito o decreto.
Mas manteve o contingenciamento dos recursos.
Na prática, a decisão buscou retirar o peso político da medida sem abandonar completamente a estratégia fiscal adotada por Cidade.
Foi uma tentativa de reduzir o desgaste.
A FORÇA DO DEBATE PÚBLICO
O episódio mostra algo importante.
Ainda existe força na pressão política quando ela encontra repercussão na sociedade.
Omar Aziz levou o tema para o Senado.
David Almeida ampliou o alcance nas redes.
A discussão chegou aos veículos de comunicação. E o assunto ganhou dimensão suficiente para exigir uma resposta do “Cocô de Ouro”.
O VERDADEIRO RECADO
O maior ensinamento desse episódio talvez não esteja nos R$ 100 milhões.
Está no sinal emitido para a disputa de 2026.
Pela primeira vez desde que assumiu o governo, Roberto Cidade enfrentou uma reação coordenada de adversários que pretendem disputar o mesmo eleitorado. E precisou responder.
O BASTIDOR
Quem acompanha política sabe: recuos administrativos costumam ser analisados muito além dos números.
Eles são lidos como demonstrações de força. Ou de fragilidade.
Por isso, o que aconteceu na UEA não ficará restrito ao debate sobre orçamento.
O episódio será lembrado como um teste político importante para todos os atores envolvidos.
A PERGUNTA
Se Omar Aziz não tivesse levado o caso ao Senado…
Se David Almeida não tivesse transformado o assunto em debate público…
O decreto teria sido revogado?
Essa é a pergunta que continua circulando nos bastidores.
CONCLUSÃO DE BASTIDOR
A política é feita de decisões, mas também é feita de reações.
Nesta semana, o governo tomou uma decisão.
A oposição reagiu. A pressão cresceu. E o Cocô de Ouro recuou.
No fim das contas, o maior fato político talvez não seja o decreto.
Talvez seja a demonstração de que a disputa de 2026 já começou, e que ninguém pretende assistir de braços cruzados.
* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.