Imagens e vídeos artificiais de baixa qualidade viralizam, geram milhões e despertam uma crescente reação dos usuários.
O avanço das ferramentas de inteligência artificial mudou rapidamente o cenário das redes sociais e abriu espaço para um fenômeno cada vez mais comum: o chamado AI slop, termo usado para definir conteúdos gerados por IA que são considerados superficiais, estranhos ou enganosos.
O incômodo com esse tipo de material levou o estudante francês Théodore, de 20 anos, a criar um perfil dedicado a expor publicações absurdas que viralizam nas plataformas. Ele decidiu agir após ver uma imagem claramente artificial de crianças pobres que, mesmo com falhas evidentes, acumulou quase um milhão de curtidas no Facebook. A conta criada por ele passou a reunir milhares de exemplos semelhantes e hoje soma mais de 130 mil seguidores.
Com o crescimento das ferramentas de criação automática, empresas de tecnologia têm incentivado a produção desse tipo de conteúdo. Executivos como Mark Zuckerberg e Neal Mohan destacam a IA como a nova fase das redes sociais, ampliando a produção de vídeos, imagens e formatos interativos. Ao mesmo tempo, admitem que cresce a preocupação com a proliferação de material repetitivo e de baixa qualidade.
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Pesquisas indicam que a presença desse conteúdo já é significativa. Um levantamento da empresa Kapwing aponta que cerca de 20% dos vídeos exibidos a uma conta recém-criada no YouTube são produzidos por IA e considerados de baixa qualidade. Em formatos curtos, a proporção é ainda maior.
A monetização tem papel importante nessa expansão. Alguns canais que produzem esse tipo de material acumulam bilhões de visualizações e receitas milionárias, impulsionados pelos algoritmos e pelo engajamento mesmo quando parte do público critica o conteúdo.
A reação negativa também cresce. Comentários indignados têm se tornado comuns sob vídeos virais gerados por IA, e plataformas já foram pressionadas a remover conteúdos considerados perturbadores ou enganosos, especialmente aqueles voltados a crianças.
Especialistas alertam que a avalanche de material artificial pode afetar a atenção e a confiança dos usuários. Além disso, há preocupação com o uso da tecnologia para desinformação, já que distinguir o que é real se torna cada vez mais difícil.
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Apesar das críticas, a tendência parece irreversível. Para muitos analistas, o desafio agora não é impedir a circulação do AI slop, mas encontrar formas de identificar conteúdos autênticos e preservar a confiança no ambiente digital.