*Por Antônio Zacarias — Minha gente, o caso Daniel Vorcaro chegou a um ponto em que a pergunta já não é apenas o que o dono do Banco Master teria feito.
A pergunta agora é: o que Daniel Vorcaro sabe sobre os poderosos da República?
Não tenho dúvida de que ele sabe muito, mas muito mesmo. E de praticamente todo mundo que está no andar de cima da República.
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Os brasileiros somos testemunhas da polvorosa que cada nova revelação provoca em Brasília.
Uma mensagem aparece, alguém se explica; um encontro é revelado, sai uma nota; um novo nome surge, começa outra crise.
O celular de Vorcaro virou uma espécie de caixa-preta do poder brasileiro. Concordam comigo, caro leitor, caríssima leitora?
UM BANQUEIRO COM MUITAS PORTAS ABERTAS
O impressionante não é apenas o tamanho do escândalo do Banco Master, é a quantidade de gente poderosa que aparece no entorno de Vorcaro.
O dono do Banco Master tinha agenda de chefe de Estado: ministros , políticos, autoridades e personagens importantes da República.
Não quero dizer com isso que conhecer Vorcaro é crime. Assim como conversar com ele também não.
A questão é outra. Tenho certeza de o povo brasileiro gostaria de saber o que acontecia nessas relações. Houve pedidos? Favores? Pressões ? Negócios? Acesso privilegiado? Interferência em decisões públicas?
É isso que precisa ser investigado.
BRASÍLIA DESCOBRIU O MEDO DO CELULAR
Que medo, hein! Afinal, celular tem memória, guarda mensagem, documento, conversa. Guarda quem procurou quem, e pode guardar justamente aquilo que alguém gostaria de esquecer.
Por isso, talvez o telefone de Daniel Vorcaro seja hoje um dos objetos mais explosivos — e temidos! — de Brasília.
A cada revelação, fica a pergunta: quem será o próximo?
NEM DIREITA, NEM ESQUERDA
O caso Master não pode virar campeonato de torcida. Se aparecer bolsonarista, investigue; se aparecer lulista, investigue, se aparecer ministro, senador, deputado, empresário ou servidor, investigue. Sem proteção, sem telefonema, sem amigo do rei.
A República não pode escolher quem será investigado conforme a conveniência política do momento.
E SE VORCARO RESOLVER FALAR?
Aqui mora o pesadelo de Brasília. O que aconteceria se Daniel Vorcaro resolvesse contar tudo o que sabe?
Isso não significa que sua palavra seria verdade. Afinal, delação não é prova. Acusação não é condenação.
Qualquer declaração dele teria de ser confrontada com documentos, mensagens, extratos, contratos e outras provas.
Creio que nesse aspecto há consenso, não é verdade?
Isso, porém, não nos faz varrer para debaixo do tapete uma pergunta pra lá de legítima: até onde chegavam as relações de Vorcaro com o poder?
QUEM TEM MEDO DE DANIEL VORCARO?
Talvez seja essa a pergunta mais incômoda. Quem está tranquilo com a investigação? Quem acorda preocupado com a próxima mensagem que poderá aparecer?
Quem não fez nada errado deveria ser o primeiro interessado em abrir tudo. Afinal, transparência protege inocentes e revela culpados.
A REPÚBLICA ESTÁ REFÉM
Daniel Vorcaro está preso. E aí está a grande ironia dessa história.
O homem está sob custódia do Estado, mas Brasília parece viver sob o suspense daquilo que ainda poderá sair de seus aparelhos e documentos.
É nesse sentido, na minha opinião, que a República está refém de Daniel Vorcaro.
Não porque ele mande no Supremo, na Polícia Federal ou no Congresso. Essas instituições são pilares da democracia. E eventuais relações pouco republicanas de alguns de seus integrantes com Vorcaro, se comprovadas, não contaminam nem diminuem essas instituições como um todo.
Digo também que a República está refém de Vorcaro porque aquilo que ele sabe — e aquilo que eventualmente ainda poderá revelar — parece capaz de produzir terremotos no poder.
Penso que só existe uma maneira de acabar com isso: abrir tudo, investigar tudo. Seguir o dinheiro. Conferir as mensagens. Esclarecer os encontros. Doa a quem doer.
Do contrario, a imagem que fica é devastadora: Daniel Vorcaro está preso pela República, mas a República também parece presa a Daniel Vorcaro.
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*Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.