Pesquisa mostra que microrganismos perderam genes ao longo da evolução e hoje dependem quase totalmente dos seres humanos para sobreviver.
Os ácaros da espécie Demodex folliculorum, conhecidos por viverem nos poros da pele humana, estão se tornando cada vez mais dependentes do organismo das pessoas. A conclusão é de um estudo publicado na revista científica Molecular Biology and Evolution, que analisou como esses microrganismos evoluíram após milhões de anos convivendo exclusivamente com os seres humanos.
Os pesquisadores sequenciaram o genoma do ácaro e descobriram que ele perdeu diversos genes ao longo da evolução, passando a ter uma das estruturas genéticas mais simples já registradas entre espécies aparentadas. Segundo os cientistas, isso aconteceu porque o ambiente oferecido pela pele humana fornece alimento constante, temperatura estável e pouca necessidade de enfrentar predadores ou competir por sobrevivência.
Além da simplificação genética, o organismo também sofreu mudanças físicas. O estudo aponta que o ácaro possui menos células musculares nas pernas e depende praticamente por completo do corpo humano para completar seu ciclo de vida.
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Outro dado curioso revelado pela pesquisa envolve o comportamento noturno da espécie. Como perdeu parte dos mecanismos responsáveis pelo próprio relógio biológico, o ácaro utiliza a melatonina produzida pela pele humana como estímulo para sair dos poros durante a noite, período em que procura parceiros para reprodução.
Os cientistas afirmam que essa especialização extrema pode colocar a espécie em um "beco sem saída" evolutivo. Isso significa que, ao se tornar totalmente adaptado ao corpo humano, o ácaro pode perder a capacidade de sobreviver caso seu ambiente sofra mudanças significativas.
A pesquisa também derrubou um antigo mito. Durante anos acreditava-se que o Demodex folliculorum não possuía ânus e acumulava resíduos até morrer. A análise genética mostrou que a espécie possui, sim, uma abertura anal funcional.
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Apesar das descobertas, os pesquisadores reforçam que esses ácaros fazem parte da microbiota natural da pele e, na maioria dos casos, convivem com os seres humanos sem causar qualquer problema de saúde. O estudo amplia o entendimento sobre como organismos microscópicos podem sofrer profundas transformações ao longo da evolução quando vivem em associação permanente com um único hospedeiro.