Jovem de 16 anos afirma ter sido perseguido, insultado e ameaçado por integrantes de um grupo criado para organizar partidas de futebol
Um adolescente negro de 16 anos foi vítima de injúria racial, perseguição e ameaças em um grupo de WhatsApp formado por moradores de um condomínio na Zona Leste de São Paulo. Segundo a família, os ataques duraram cerca de dois meses e motivaram o registro de um boletim de ocorrência na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), que investiga o caso.
De acordo com a GloboNews, o grupo havia sido criado para organizar partidas de futebol na quadra do condomínio. A situação mudou após a entrada de pessoas de fora do residencial, que passaram a direcionar ofensas ao adolescente.
Entre os episódios relatados, o nome do grupo foi alterado para fazer referência à série Todo Mundo Odeia o Chris, enquanto a foto do grupo foi substituída por uma imagem do jovem. Ele também recebeu mensagens e áudios com ofensas como "analfabeto", "burro" e "mulambo".
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Segundo o pai da vítima, os envolvidos passaram a monitorar o perfil do adolescente no Instagram, copiando fotos e vídeos para compartilhá-los no grupo com o objetivo de ridicularizá-lo. Mesmo após o jovem restringir o acesso às publicações, perfis falsos teriam sido criados para continuar acompanhando suas redes sociais.
As agressões se intensificaram depois que o adolescente publicou um vídeo respondendo às provocações. A partir daí, passaram a surgir ofensas racistas como "macaco", "mono", "urubu", "negão" e "pixe", além do compartilhamento de imagens de animais e de pessoas negras para constrangê-lo.
Na tentativa de interromper os ataques, o adolescente alterou o nome e a foto do grupo, mas acabou removido pelos administradores.
A família também relata que dois integrantes do grupo fizeram chamadas de vídeo afirmando que estavam no condomínio e que iriam até o apartamento da vítima. Durante a ligação, eles teriam exibido uma arma de fogo e um soco-inglês, além de fazer ameaças de violência sexual contra o adolescente.
Após as ameaças, a família procurou a polícia. Dias depois, houve uma discussão na quadra do condomínio que terminou em agressões verbais e físicas entre um dos envolvidos e o pai do adolescente.
Segundo os familiares, o grupo era formado por cerca de 15 pessoas, sendo dez moradores do condomínio e cinco pessoas de fora. Pelo menos um dos investigados é maior de idade.
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O condomínio informou que aplicou multa aos moradores envolvidos. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que o caso é investigado pela Decradi e que as diligências seguem em andamento.