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ADVOCACIA: A voz que não pode se calar diante da injustiça
Foto: Reprodução/Portal do Zacarias

*Por Antônio Zacarias - Hoje é Dia do Advogado. E, neste ano, a data tem para mim um significado ainda mais especial.

 

Durante décadas, admirei a advocacia como jornalista, como cidadão e como alguém que sempre acreditou na força do Direito como instrumento de defesa da liberdade, da Justiça e da dignidade humana.

 

Mas agora estou prestes a atravessar uma fronteira que, para mim, tem um significado enorme: estou cursando o último período do curso de Direito, uma graduação que comecei em 1980 e que, finalmente, vou concluir.

 

São 46 anos entre o início e a reta final de uma caminhada que, por diferentes circunstâncias da vida, precisou ser interrompida e retomada. Chegar agora ao último período não representa apenas a conclusão de um curso universitário, representa o fechamento de um ciclo que permaneceu aberto durante décadas.

 

Nessa minha caminhada, ainda há um passo decisivo pela frente: em breve, após ser aprovado no Exame da Ordem, também me tornarei parte integrante da advocacia brasileira.

 

Por isso, neste Dia do Advogado, minha homenagem à classe também é, de certa maneira, uma declaração de respeito à profissão da qual espero fazer parte muito em breve.

 

Ser advogado é muito mais do que conhecer leis, interpretar códigos ou dominar os caminhos, muitas vezes complexos, do Judiciário.

 

Ser advogado é assumir a responsabilidade de defender direitos, proteger garantias e representar cidadãos diante do Estado, das instituições e, não raramente, das próprias injustiças que insistem em sobreviver dentro da sociedade.

 

O advogado é, em muitos momentos, a última voz de quem já não sabe a quem recorrer.

 

Quando alguém tem sua liberdade ameaçada, é o advogado quem se apresenta para defender o direito; quando um trabalhador é lesado, quando uma família busca Justiça, quando uma empresa precisa proteger seus interesses ou quando um cidadão se vê diante de uma acusação, é à advocacia que se recorre.

 

Por isso, a advocacia não pode ser compreendida apenas como uma profissão. Ela é uma das engrenagens essenciais do Estado Democrático de Direito.

 

A Constituição brasileira reconhece que o advogado é indispensável à administração da Justiça. E não se trata de uma simples formalidade jurídica. É o reconhecimento de que não existe Justiça plena sem defesa, contraditório e respeito aos direitos fundamentais.

 

O advogado precisa ter coragem para enfrentar poderosos, independência para contrariar maiorias e serenidade para defender até mesmo aquele que a sociedade já condenou antes de qualquer julgamento.

 

Essa talvez seja uma das maiores grandezas da profissão: o advogado não existe para defender apenas quem é popular, simpático ou conveniente. Existe para defender o Direito. E defender o Direito exige, muitas vezes, nadar contra a corrente.

 

Vivemos tempos em que julgamentos são feitos nas redes sociais em questão de minutos; em que acusações podem destruir reputações antes que os fatos sejam devidamente apurados; em que a opinião pública, algumas vezes, pretende substituir a Justiça.

 

É justamente nesses momentos que a advocacia se torna ainda mais necessária.

 

O advogado é aquele que lembra à sociedade que ninguém pode ser condenado sem o devido processo legal; que ninguém deve ser privado de sua liberdade arbitrariamente; que toda acusação precisa ser confrontada com provas; e que Justiça não pode ser confundida com vingança.

 

Naturalmente, a advocacia também carrega enormes responsabilidades. A profissão exige conhecimento, atualização permanente, ética, coragem e, sobretudo, compromisso com a Justiça.

 

Atrás de cada processo existe uma história humana. Existem famílias, sonhos, patrimônios, liberdades, dores e esperanças. E quem recebe a responsabilidade de representar essas pessoas precisa compreender que, muitas vezes, está carregando nas mãos muito mais do que um processo: está carregando o destino de alguém.

 

Talvez seja exatamente por isso que, ao me aproximar da advocacia depois de uma trajetória tão longa, eu tenha ainda mais consciência da responsabilidade que pretendo assumir.

 

Comecei Direito em 1980. Quarenta e seis anos depois, estou no último período.

 

Não cheguei até aqui apenas para receber um diploma. Cheguei porque acredito que nunca é tarde para concluir um sonho, cumprir uma promessa feita a si mesmo e abrir uma nova página na própria história.

 

Se Deus me permitir, depois da aprovação no Exame da Ordem, quero ingressar na advocacia levando comigo não apenas aquilo que aprendi nos livros e nas salas de aula, mas também tudo aquilo que a vida me ensinou.

 

A experiência acumulada ao longo de décadas, o olhar de jornalista, a convivência com pessoas de diferentes histórias e realidades e, sobretudo, a convicção de que a palavra pode ser uma poderosa ferramenta de defesa da verdade e da Justiça.

 

Neste Dia do Advogado, portanto, minha homenagem é para todos aqueles que já integram essa categoria e que, diariamente, enfrentam os desafios de exercer uma profissão indispensável à democracia.

 

Mas é também uma homenagem antecipada à profissão que espero abraçar em breve.

 

Que nunca falte à advocacia brasileira independência para defender, coragem para questionar, conhecimento para argumentar e ética para reconhecer os limites que jamais devem ser ultrapassados.

 

Afinal, uma sociedade sem advogados livres e independentes corre o risco de descobrir, tarde demais, que quando a defesa desaparece, a própria liberdade começa a desaparecer com ela.

 

Aos advogados e advogadas de todo o Brasil, minha admiração, meu respeito e minha homenagem. 

 

* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.

 

Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.

 

Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.

 

Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.

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