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Afastamentos por burnout disparam e gastos com auxílios pressionam Previdência
Foto: Reprodução

O diagnóstico de burnout veio depois de um longo período de esgotamento tratado como normal

A empresária e hoje criadora de conteúdo Carla Ramalho, 34, passou meses ignorando sinais de que algo não ia bem. Olho tremendo, insônia, lapsos e perda de memória, irritabilidade e queda de desempenho viraram parte da rotina enquanto trabalhava como gerente de marketing em uma multinacional. "Eu acordava mais cansada do que quando ia dormir."

 

O diagnóstico de burnout veio depois de um longo período de esgotamento tratado como normal. Afastada por 15 dias, tentou voltar ao trabalho, mas teve uma crise de pânico e se demitiu. Os afastamentos por burnout -síndrome do esgotamento profissional- se multiplicaram por 6 em quatro anos e passaram a pressionar os gastos da Previdência Social.

 

Dados do MPS (Ministério da Previdência Social) apontam alta de 493% nos auxílios-doença por esgotamento no trabalho e falta de lazer, saltando de 823 casos em 2021 para 4.880 em 2024. Nos seis primeiros meses de 2025, os registros chegaram a 3.494, representando 71,6% dos afastamentos do ano anterior.

 

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Os números podem estar subnotificados. O esgotamento no trabalho não é fácil de ser identificado e pode levar o profissional a ser afastado por outras doenças. Além disso, trabalhadores informais não contribuem com o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e ficam fora das estatísticas. "A irritabilidade foi o sintoma mais latente para mim. Entreguei por meses [o trabalho] na força do ódio, ignorando totalmente os sintomas", diz Carla.

 

Em 2024, o INSS concedeu 472,3 mil auxílios-doença relacionados à saúde mental -o que inclui depressão, ansiedade e outras síndromes- de um total de 3,6 milhões de afastamentos. No ano anterior, foram 283,5 mil. Em 2025, os transtornos por saúde mental geraram 271.076 afastamentos de janeiro a junho, de um total de mais de 2 milhões de auxílios e já representam 1 em cada 7 afastamentos, aproximando-se das concessões por problemas ósseos e musculares, que lideram as doenças no INSS.

 

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Carla não recebeu auxílio-doença, pago depois de 15 dias de afastamento -nesse período, para quem tem carteira assinada, o valor é pago pela empresa-, e reconhece que só melhorou por ter rede de apoio e vida financeira estável. Ela destaca o preconceito e o medo de ser visto como fraco como fatores que fazem o trabalhador não buscar ajuda e fugir do afastamento. Em vídeo na internet, explica as diferenças entre ter síndrome de burnout -adoecimento crônico- e um burnout pontual. A trabalhadora viveu os dois casos.

 

As despesas com auxílio têm crescido mais do que as com outros benefícios e passaram de R$ 18,9 bilhões em 2022 para R$ 31,8 bilhões em 2024, alta de 68%. Já os gastos totais da Previdência subiram de R$ 734,3 bilhões, em 2022, para R$ 802,2 bilhões em 2023 -alta de 9,2%- e chegaram a R$ 876,9 bilhões em 2024, crescimento de 19,4% ante 2022.

 

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"Não é questão de não aguentar o tranco. É questão de adoecer. Se fosse um relacionamento amoroso que te levasse a esse estado, todo mundo diria para terminar. Burnout não é frescura, não é desculpa. É um problema de saúde reconhecido pela OMS [Organização Mundial da Saúde]", diz Carla. 

 

Fonte: Extra

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