Depoimentos e comprovantes indicam que trabalhadores teriam sido pagos por empresa que mantém contratos milionários com a gestão municipal
Uma investigação jornalística aponta que a agência MM Quarter, empresa que possui contratos milionários com a Prefeitura de São Paulo, teria recrutado e remunerado pessoas para atuar como cabos eleitorais na campanha de reeleição do prefeito Ricardo Nunes (MDB) em 2024.
De acordo com relatos de trabalhadores e comprovantes de pagamento obtidos pela reportagem, profissionais ligados à empresa incluindo guias de turismo terceirizados que prestavam serviços à gestão municipal foram mobilizados para atividades de campanha. Alguns afirmaram ter recebido pagamentos sem emissão de nota fiscal.
Apesar das acusações, a empresa não aparece na lista de fornecedores declarados pela campanha do prefeito ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na prestação de contas oficial, a contratação de mão de obra foi concentrada em uma cooperativa, que recebeu cerca de R$ 7,3 milhões para serviços de cooperados.
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Em nota, o diretório municipal do MDB afirmou que a campanha seguiu todas as regras da legislação eleitoral e teve as contas aprovadas pela Justiça Eleitoral sem ressalvas. O partido também declarou que não houve relação contratual entre a campanha e a empresa citada.

Durante o período eleitoral, a MM Quarter mantinha contratos relevantes com a administração municipal. Um deles, no valor de R$ 67 milhões, foi firmado com a SPTuris empresa pública responsável por eventos e turismo na cidade. Além disso, a agência também recebeu cerca de R$ 1,6 milhão para fornecer profissionais bilíngues e recepcionistas para o serviço Aquático SP, transporte hidroviário que opera na Represa Billings.
Segundo dados já divulgados anteriormente, a empresa possui aproximadamente R$ 232 milhões em contratos ativos com a SPTuris e com a Secretaria Municipal de Turismo.

Após questionamentos sobre a estrutura societária da Quarter, o caso foi encaminhado pelo próprio prefeito à Controladoria Geral do Município (CGM). A apuração identificou documentos que concediam amplos poderes administrativos ao então secretário-adjunto de Turismo, Rodolfo Marinho, e ao empresário Victor Correia Moraes para gerenciar a empresa, embora não fossem formalmente os proprietários.
Diante da repercussão, Ricardo Nunes determinou a demissão de Rodolfo Marinho e também do então presidente da SPTuris, Gustavo Pires. O prefeito afirmou que os fatos serão investigados e que eventuais irregularidades serão punidas.

Registros obtidos pela reportagem indicam que o recrutamento para trabalhar na campanha teria ocorrido por meio de grupos de WhatsApp administrados pela agência. Em uma das mensagens enviadas a guias de turismo, uma coordenadora teria anunciado vagas para divulgação de campanha política com pagamento diário de R$ 250.
Os profissionais interessados foram orientados a comparecer ao comitê de campanha do prefeito, instalado no Edifício Joelma, no centro da capital paulista. No local, teriam recebido orientações sobre como abordar eleitores e divulgar propostas do candidato.

Após o treinamento, os participantes foram divididos em equipes e enviados a diferentes bairros da cidade para atuar na mobilização eleitoral.

Alguns trabalhadores ouvidos relataram que receberam pagamento por meio de transferências via Pix feitas por pessoas ligadas à agência ou por empresas relacionadas ao grupo. Outros disseram ter sido orientados a emitir notas fiscais para companhias terceirizadas.

Fotos: Reprodução
A empresa MM Quarter afirmou, em nota, que atua na produção de eventos e prestação de serviços operacionais para setores público e privado, e que todas as suas atividades seguem a legislação vigente. A empresa também declarou estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
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Já integrantes da campanha de Ricardo Nunes reiteraram que todas as contratações foram realizadas por meio de uma cooperativa responsável pelo recrutamento e pagamento das equipes mobilizadas durante o processo eleitoral. O partido afirma que não existe vínculo formal entre a campanha e a empresa citada nas denúncias.