Projeção da Embrapa mostra setor resiliente, com crescimento médio de 7,6% ao ano na última década
A agropecuária de Rondônia deve gerar R$ 30,2 bilhões em 2026, queda de 1% frente ao resultado de 2025. Os dados são de projeção da área de socioeconomia da Embrapa Rondônia, com base nos preços médios dos 17 principais produtos do estado.
Cinco culturas concentram 90,4% desse valor: bovinos, soja, café, milho e leite. Os bovinos lideram com folga. Sozinhos, respondem por 51,3% do Valor Bruto da Produção (VBP) estadual, com projeção de R$ 15,5 bilhões, alta de 5,1% sobre 2025.
O VBP leva em conta os preços recebidos pelos produtores rurais, os dados de produção da Conab e do IBGE, e as pesquisas de preços da Conab e da Emater-RO, todos deflacionados pelo IGP-DI da Fundação Getúlio Vargas.
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EM ALTA
Os maiores avanços projetados para 2026 estão na banana e na mandioca. A banana deve registrar crescimento de 19% no VBP, impulsionado pela combinação de produção 5,7% maior e preços 19,1% mais altos nos dois primeiros meses do ano. Já a mandioca avança 18,3%, apesar de uma safra 2% menor. O empurrão vem do aumento de 21,7% nos preços da mandioca de mesa, que representa 60% da produção estadual do produto.
O preço da carne bovina sobe por dois fatores simultâneos: oferta reduzida de animais para abate e mercado externo aquecido. A tendência é que esse patamar se mantenha ao longo de 2026, sustentando o VBP do setor em R$ 15,5 bilhões. São R$ 747,7 milhões a mais do que em 2025.
ARROZ, CACAU, LEITE E CAFÉ RECUAM
O cenário não é favorável para todos. O arroz sofre duplo golpe: preços em queda e volume de produção estimado em 94,2 mil toneladas na safra 2025/2026, metade do que se colheu na safra anterior. O resultado é uma queda abrupta no VBP do cereal, de R$ 334 milhões em 2025 para R$ 114,8 milhões em 2026.
O cacau, que bateu recordes de preço em 2024/2025, vive o efeito contrário: a recuperação das lavouras africanas, principais produtoras mundiais da amêndoa, e a retração da demanda das indústrias chocolateiras derrubam o VBP de R$ 324,2 milhões para R$ 170,9 milhões.
O café também recua 19,3%, pressionado pela maior oferta global do produto. O leite, por sua vez, enfrenta queda de 22,1% no VBP, reflexo de oferta elevada, demanda fraca e concorrência das importações de lácteos, especialmente de países do Mercosul.
Apesar das quedas pontuais, o setor agropecuário rondoniense mantém trajetória positiva no longo prazo: nos últimos dez anos, o VBP cresceu em média 7,6% ao ano.
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Vale lembrar que o indicador é calculado mensalmente e pode variar ao longo do ano, conforme oscilações de preços e revisões nas estimativas de produção.
Fonte:Agro em Campo