Raio-X internacional mostra como dezenas de nações usam voto online e scanners, com soluções bem diferentes da urna brasileira
A urna eletrônica não é uma exclusividade do Brasil. Segundo levantamentos do Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral (IDEA), pelo menos 34 países utilizam algum tipo de tecnologia eletrônica em eleições regionais ou nacionais. Os sistemas, porém, funcionam de maneiras diferentes e variam entre votação totalmente digital, uso de cédulas de papel e modelos híbridos.
No cenário internacional, existem três formatos principais de tecnologia eleitoral. O primeiro é a Gravação Direta Eletrônica (DRE), na qual o eleitor registra o voto diretamente em uma tela ou teclado digital. Esse modelo é utilizado em eleições gerais de 17 países, incluindo Brasil, Índia, Paraguai e França.
Outro sistema é o escaneamento óptico. Nesse modelo, o eleitor marca uma cédula de papel e, posteriormente, o documento passa por um equipamento que realiza a leitura e a contagem eletrônica dos votos. Canadá e Iraque estão entre os países que utilizam essa tecnologia.
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Também existem os sistemas mistos ou híbridos. Na Bélgica, por exemplo, equipamentos digitais são utilizados em conjunto com uma impressora que produz uma confirmação em papel. O documento permite ao eleitor conferir o registro antes que ele seja depositado em uma urna de segurança.
O sistema brasileiro possui uma característica particular dentro do modelo de gravação direta. Assim como ocorre em países como Butão e Bangladesh, a urna registra o voto eletronicamente sem emitir um comprovante impresso para conferência do eleitor. A segurança da votação é baseada em diferentes mecanismos digitais, incluindo testes públicos, criptografia e auditorias.
Em outros países, a adoção da tecnologia eleitoral foi interrompida ou sofreu mudanças. Alemanha, Holanda e Noruega são exemplos de nações que suspenderam ou abandonaram determinados sistemas eletrônicos de votação após questionamentos relacionados à transparência, segurança e possibilidade de auditoria.
Na Alemanha, uma decisão da Corte Constitucional Federal de 2009 estabeleceu que os procedimentos eleitorais precisam permitir que o cidadão consiga acompanhar as etapas essenciais da votação e da apuração sem depender de conhecimentos técnicos especializados. A decisão teve impacto sobre o uso de determinadas urnas eletrônicas no país.

Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil
A Holanda também abandonou equipamentos eletrônicos após questionamentos sobre segurança e transparência. Na Noruega, experiências com votação pela internet foram interrompidas após avaliações relacionadas à segurança e ao sigilo do voto.
A informatização das eleições também movimenta um mercado internacional de equipamentos e softwares. Empresas como Smartmatic e Dominion Voting Systems fornecem tecnologias utilizadas em diferentes países, incluindo os Estados Unidos e nações da América Latina e Europa.
No Brasil, o modelo possui uma característica própria em relação ao desenvolvimento do sistema. O software utilizado nas urnas é desenvolvido sob responsabilidade da Justiça Eleitoral, enquanto a fabricação dos equipamentos é realizada por empresas contratadas por meio de licitações.
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Dessa forma, embora diversos países utilizem tecnologia durante as eleições, não existe um único modelo de urna eletrônica no mundo. Cada sistema combina diferentes mecanismos de votação, registro, auditoria e apuração, de acordo com as regras eleitorais e exigências de cada país.