A Doença de Chagas voltou a preocupar autoridades de saúde na Região Norte após o registro de casos graves no Pará, incluindo a morte de um jovem de apenas 26 anos na Região Metropolitana de Belém. A principal suspeita é de contaminação por meio do consumo de açaí, reforçando um problema antigo e recorrente na Amazônia: falhas no preparo e no manejo de alimentos regionais.
Em Ananindeua, o rapaz chegou a ser diagnosticado, mas morreu poucos dias depois. Segundo as investigações iniciais, ele teria ingerido açaí contaminado durante a etapa de manipulação do produto. Diante do ocorrido, a prefeitura confirmou novos casos suspeitos, intensificou fiscalizações em batedores e pontos de venda e passou a monitorar moradores com sintomas compatíveis com a doença.
Na Amazônia, produtos como açaí, bacaba e buriti fazem parte do dia a dia da população, movimentam a economia e estão ligados à cultura local. No entanto, especialistas alertam que o consumo sem cuidados pode representar um risco sério à saúde.
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Para o biólogo Éder Souza, professor da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Itacoatiara, a transmissão oral da Doença de Chagas é hoje um dos principais desafios da região.
“Na Amazônia, a doença não acontece só por causa do barbeiro. A ingestão de alimentos contaminados é uma das principais formas de transmissão e está diretamente ligada à falta de controle sanitário”, explicou.
Segundo ele, o problema não está no fruto em si, mas na forma como é preparado. “O açaí não é vilão. O perigo surge quando não há higienização adequada, uso de água contaminada ou ausência do choque térmico. Comprar de locais confiáveis é fundamental”, alertou.
PARÁ LIDERA NÚMEROS DA DOENÇA
O Pará concentra cerca de 80% dos casos de Doença de Chagas registrados na Região Norte na última década. Somente em 2023, foram 536 notificações. Em 2024, o número caiu para 485. Já em 2025, até o momento, são 484 casos confirmados e oito mortes. Municípios como Belém, Ananindeua, Breves, Barcarena, Muaná e Abaetetuba estão entre os mais afetados.
De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado, cerca de 89% das infecções ocorrem por via oral, ligadas diretamente ao consumo de alimentos contaminados.
No Amazonas, embora os números sejam menores, a doença continua presente. Foram registrados 11 casos em 2023, cinco em 2024 e quatro em 2025.
COMO ACONTECE A CONTAMINAÇÃO
O protozoário Trypanosoma cruzi pode alcançar os alimentos durante a colheita, transporte ou processamento, por meio de insetos infectados ou de seus resíduos. Diferente da transmissão tradicional, essa forma pode atingir várias pessoas ao mesmo tempo, provocando surtos familiares ou comunitários.
Especialistas reforçam que medidas simples podem salvar vidas: lavar bem os frutos, aplicar choque térmico, manter ambientes limpos e utilizar apenas água potável no preparo.
FIQUE ATENTO AOS SINTOMAS
Febre persistente, cansaço extremo, dores no corpo, inchaço no rosto, náuseas e mal-estar após consumir alimentos artesanais são sinais de alerta. A recomendação é procurar atendimento médico imediatamente, já que o tratamento na fase inicial da doença tem alta eficácia.
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O alerta está dado: tradição e sabor precisam andar lado a lado com segurança e responsabilidade.