Interlocutores do ministro afirmam que questionamentos não alteram o andamento do inquérito e refletem divergências sobre a condução da investigação.
As recentes críticas do ministro Gilmar Mendes à condução da investigação envolvendo o Banco Master são interpretadas por pessoas próximas ao ministro André Mendonça como uma tentativa de colocar em dúvida os métodos adotados no inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo interlocutores de Mendonça, as manifestações de Gilmar não representam um conflito pessoal entre os dois ministros, mas refletem divergências sobre a forma como a investigação vem sendo conduzida. A avaliação é de que qualquer magistrado responsável pelo caso e que adotasse medidas semelhantes estaria sujeito a questionamentos do decano da Corte.
Nos bastidores do STF, integrantes da Corte apontam que o foco das críticas está em decisões como prisões preventivas, restrições de contato entre investigados e outros atos determinados ao longo da apuração, que envolve empresários, políticos e autoridades.
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A discussão ganhou força após declarações feitas por Gilmar Mendes durante o julgamento da Segunda Turma que manteve a prisão preventiva de investigados ligados ao Banco Master. Na ocasião, o ministro afirmou que "juiz não negocia delação" e demonstrou preocupação com a possibilidade de acordos de colaboração firmados sob pressão.
Dias depois, em entrevista ao programa Roda Viva, Gilmar voltou a abordar o tema e criticou o fato de André Mendonça ter recebido um advogado que apresentou uma proposta de colaboração premiada. Embora tenha reconhecido que o relator recusou a oferta, o ministro avaliou que o simples contato já representaria uma impropriedade, uma vez que, segundo seu entendimento, a legislação prevê que negociações dessa natureza sejam conduzidas exclusivamente pelo Ministério Público ou pela Polícia Federal.
Durante sessão realizada em 16 de junho, André Mendonça confirmou ter sido procurado por um advogado com uma proposta que classificou como uma "delação seletiva". Na ocasião, afirmou que recusou imediatamente a iniciativa por entender que esse tipo de acordo não deveria ocorrer daquela forma.
Apesar da repercussão das declarações, interlocutores do relator afirmam que as críticas não interferem no andamento das investigações. A expectativa é de que o inquérito continue normalmente, com a análise dos elementos produzidos pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
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Pessoas próximas a Gilmar Mendes, por sua vez, rejeitam a interpretação de que exista um embate pessoal entre os ministros. Segundo elas, as manifestações refletem uma posição histórica do magistrado em defesa das garantias processuais e contra o que considera excessos na condução de investigações criminais, especialmente em relação ao uso de prisões preventivas prolongadas e de medidas que possam pressionar investigados durante acordos de colaboração.