Cinco países europeus — Reino Unido, França, Alemanha, Suécia e Holanda — acusaram neste sábado (14) a Rússia de estar por trás da morte do opositor Alexei Navalny, ocorrida há dois anos em uma colônia penal no Ártico.
Em declaração conjunta, os governos afirmaram que análises de amostras do corpo de Navalny confirmaram “de forma conclusiva” a presença de epibatidina, uma toxina encontrada em sapos venenosos da América do Sul e que não ocorre naturalmente na Rússia.
Segundo o comunicado, Moscou tinha meios, motivo e oportunidade para administrar o veneno, já que Navalny estava sob custódia do Estado russo no momento da morte.
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“A Rússia alegou que Navalny morreu de causas naturais. Mas, dada a toxicidade da epibatidina e os sintomas relatados, é altamente provável que o envenenamento tenha sido a causa da sua morte”, diz a nota. O governo russo nega qualquer envolvimento. A embaixada da Rússia em Londres não respondeu aos pedidos de comentário.
O Reino Unido afirmou que o caso revela “um padrão alarmante de comportamento”, lembrando investigações anteriores, como o ataque contra o ex-agente Sergei Skripal em 2018, quando autoridades britânicas concluíram que o presidente russo Vladimir Putin teria autorizado o uso do agente nervoso Novichok.
A ministra britânica das Relações Exteriores, Yvette Cooper, declarou que cientistas do país trabalharam em conjunto com parceiros europeus para esclarecer as circunstâncias da morte de Navalny.
Navalny morreu em fevereiro de 2024 enquanto cumpria pena por acusações de extremismo, que ele sempre negou. O anúncio da morte ocorreu minutos antes da abertura da Conferência de Segurança de Munique daquele ano, levando os organizadores a alterar a programação para permitir um discurso da viúva, Yulia Navalnaya.
Na ocasião, ela pediu que Putin fosse responsabilizado. Durante a edição deste ano da conferência, Yulia voltou a se manifestar:
“Eu tinha certeza, desde o primeiro dia, que meu marido havia sido envenenado, mas agora há provas. Sou grata aos Estados europeus pelo trabalho meticuloso realizado ao longo de dois anos para revelar a verdade.”
Após a morte do opositor, protestos e homenagens ocorreram em várias cidades europeias, incluindo Londres, Berlim, Vilnius e Roma, com manifestantes exigindo responsabilização do Kremlin.
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A declaração conjunta dos países aliados também destacou a necessidade de responsabilizar a Rússia por “repetidas violações da Convenção sobre Armas Químicas e, neste caso, da Convenção sobre Armas Biológicas e Toxínicas”. O caso segue repercutindo internacionalmente e aumenta a pressão diplomática sobre Moscou.