Gastos previstos para 2026 somarão mais do que o que o gigante das buscas na internet investiu nos três anos anteriores combinados
A Alphabet, controladora do Google, decidiu pisar fundo no acelerador da inteligência artificial e anunciou que pretende investir até US$ 185 bilhões em 2026 — mais que o dobro do volume aplicado em 2025. Os números foram apresentados nesta quarta-feira durante a divulgação do balanço financeiro da companhia e surpreenderam o mercado, que esperava um anúncio em torno de US$ 120 bilhões.
O investimento bilionário é sustentado pelo forte crescimento das áreas de publicidade e computação em nuvem, que ampliaram o caixa da empresa e deram fôlego para a aposta agressiva em IA. Para se ter uma ideia do tamanho do plano, o valor previsto para 2026 supera tudo o que o Google investiu somando os três anos anteriores.
Mesmo com cifras tão elevadas, o diretor-executivo Sundar Pichai tratou de acalmar investidores e analistas, garantindo que os gastos já começam a mostrar retorno. Segundo ele, os investimentos em infraestrutura e inteligência artificial vêm impulsionando a receita e o crescimento em praticamente todas as áreas da companhia.
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A área de nuvem foi um dos destaques do balanço. A receita do Google Cloud cresceu 48%, alcançando US$ 17,7 bilhões, acima das projeções do mercado. Já o Gemini, modelo de inteligência artificial da empresa, vem ganhando usuários em ritmo acelerado e se tornou peça central na estratégia do Google para enfrentar concorrentes como OpenAI, Amazon e Microsoft.
Na corrida para não perder espaço na era dos chatbots, o Google tem integrado rapidamente o Gemini aos seus principais produtos, incluindo o buscador e o navegador Chrome. Esse movimento exigiu investimentos pesados em data centers, servidores e chips especializados, tanto para treinar os modelos quanto para atender à crescente demanda de clientes de nuvem.
Segundo a diretora financeira Anat Ashkenazi, cerca de 40% dos investimentos em infraestrutura técnica estão sendo direcionados a data centers e equipamentos de rede, enquanto os outros 60% vão para servidores. Pichai reconheceu, porém, que a empresa terá de lidar com limitações, como restrições de energia e gargalos na cadeia de suprimentos.
Os números operacionais ajudam a explicar o otimismo da Alphabet. O aplicativo Gemini alcançou 750 milhões de usuários ativos até dezembro, contra 650 milhões no trimestre anterior. A carteira de pedidos do Google Cloud mais que dobrou em relação ao ano passado, chegando a US$ 240 bilhões, impulsionada principalmente pela forte demanda por soluções corporativas de IA.
O Gemini Enterprise, versão paga do sistema, já soma mais de 8 milhões de usuários, apenas quatro meses após o lançamento. Além disso, o Google se consolidou como fornecedor estratégico de infraestrutura de IA, ao disponibilizar até 1 milhão de chips especializados para a Anthropic.
A influência do Gemini também se espalha por outros gigantes do setor. O modelo será usado como fornecedor de IA para a Siri, nos iPhones da Apple. Internamente, a Alphabet revelou que agentes de inteligência artificial já são responsáveis por escrever cerca de 50% do próprio código do Google.
Outro destaque foi o YouTube. A plataforma registrou forte crescimento com o Shorts, que compete diretamente com TikTok e Instagram Reels, alcançando uma média de 200 bilhões de visualizações diárias. Em 2025, a receita do YouTube com anúncios e assinaturas superou US$ 60 bilhões.
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Com investimentos recordes, crescimento acelerado e a IA cada vez mais no centro de seus produtos, a Alphabet deixa claro que pretende não apenas acompanhar, mas liderar a próxima fase da revolução tecnológica.