O querosene de aviação é um dos principais componentes do custo operacional das companhias aéreas
A decisão da Petrobras de elevar em cerca de 55% o preço do querosene de aviação (QAV) acendeu um alerta no setor aéreo brasileiro. O reajuste, que já entrou em vigor, ocorre em meio à escalada dos preços internacionais do petróleo, impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio, e deve provocar impacto direto no bolso dos passageiros.
O querosene de aviação é um dos principais componentes do custo operacional das companhias aéreas, representando entre 30% e 40% das despesas totais — percentual que, em alguns casos, pode chegar a quase metade dos gastos das empresas. Diante desse cenário, qualquer aumento significativo no combustível gera um efeito imediato sobre toda a cadeia do transporte aéreo.
Com a alta recente, empresas como Gol Linhas Aéreas, Azul Linhas Aéreas e LATAM Airlines passam a enfrentar uma pressão ainda maior sobre suas finanças. A tendência é que parte desse aumento seja repassada ao consumidor final, resultando em passagens mais caras nos próximos meses.
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Além do impacto diretonos preços, especialistas apontam que o reajuste pode provocar mudanças na malha aérea. Para equilibrar as contas, companhias podem reduzir a oferta de voos, cancelar rotas menos lucrativas e frear planos de expansão. Esse efeito tende a ser mais sentido em regiões onde o transporte aéreo é essencial, como a Amazônia, onde as distâncias e limitações logísticas tornam o avião um meio fundamental de deslocamento.
Outro fator que agrava o cenário é o histórico recente de aumentos consecutivos. Somente em 2026, o preço do QAV já acumula altas expressivas, impulsionadas pela valorização do petróleo no mercado internacional. Em poucos meses, o combustível sofreu reajustes sucessivos, elevando significativamente o custo por litro e pressionando ainda mais o setor.

Foto: Reprodução
Esse contexto global tem origem, principalmente, na instabilidade geopolítica e em restrições na oferta de petróleo, fatores que impactam diretamente derivados como o querosene de aviação. Como o Brasil segue a paridade internacional de preços, mesmo sendo produtor de petróleo, o mercado interno acaba refletindo essas oscilações externas.
Para o consumidor, os efeitos já começam a aparecer. Dados recentes indicam que o preço médio das passagens aéreas já vinha em trajetória de alta, e a expectativa é de novos reajustes ao longo do ano. O impacto pode ser ainda mais significativo em períodos de alta demanda, como férias e feriados prolongados.
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Diante desse cenário, o setor aéreo pressiona por medidas de alívio, como redução de impostos e linhas de crédito, na tentativa de conter o avanço dos custos e evitar uma queda na demanda por viagens. Ainda assim, a tendência é de que o transporte aéreo fique mais caro e menos acessível no curto prazo, refletindo diretamente as turbulências do mercado global de energia.