No entanto, não se sabe exatamente qual é a principal alteração que a doença provoca
Hoje, existem alguns mecanismos cerebrais ligados ao diagnóstico, como o acúmulo das proteínas beta-amiloide e tau no órgão formando placas tóxicas para os neurônios e um quadro de neuroinflamação crônica do cérebro. No entanto, não se sabe exatamente qual é a principal alteração que a doença provoca – os medicamentos que removem as placas amiloides, por exemplo, têm uma eficácia limitada em retardar a perda cognitiva, e não conseguem interrompê-la.
Agora, os pesquisadores americanos sugerem uma “explicação unificadora” para as mudanças que ocorrem no cérebro de pacientes com Alzheimer. De acordo com os cientistas, a patologia teria íncio com uma falha nosistema de transporte que leva moléculas vitais entre o núcleo celular e o citoplasma, o ambiente líquido que envolve o núcleo da célula.
Essa falha seria resultado da formação de grânulos persistentes, aglomerados de proteínas e RNA, em resposta ao estresse celular. Como consequência, mais de mil genes que produzem proteínas essenciais na célula seriam impactados, afetando as sinapses dos neurônios, o seu metabolismo e a sua sobrevivência.
Veja também

Saúde dos olhos de alunos pede atenção na volta às aulas
Como perder barriga rápido e eliminar gordura abdominal sem cirurgia
“Nossa proposta, focada na quebra da comunicação entre o núcleo e o citoplasma, levando a disrupções massivas na expressão gênica, oferece uma estrutura plausível para compreender de forma abrangente os mecanismos que impulsionam essa doença complexa. Estudar essas manifestações iniciais do Alzheimer pode abrir caminho para abordagens inovadoras de diagnóstico, tratamento e prevenção, abordando a doença em suas raízes”, diz Paul Coleman, pesquisador da universidade e líder do estudo, em comunicado.

Foto: Reprodução
A pesquisa destaca os grânulos de estresse crônicos como principais culpados em todo esse processo. Os cientistas explicam que os grânulos são estruturas formadas temporariamente em resposta ao estresse celular com o objetivo de pausar mecanismos não essenciais da célula enquanto ela se recupera, como uma forma de proteção.
No entanto, os pesquisadores identificaram que, nos pacientes com Alzheimer, esses grânulos não se dissolvem quando o estresse diminui. Pelo contrário, eles persistem de forma crônica e começam a causar os danos no sistema de comunicação da célula e na produção de proteínas essenciais.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
Em comunicado, os cientistas exemplificam esses danos na comunicação como “uma rodovia entupida impedindo o movimento de mercadorias críticas, deixando recursos presos e causando caos”. Não se sabe o que exatamente leva à formação dos grânulos persistentes, embora os cientistas destaquem que diversos fatores genéticos e ambientais, como mutações, inflamação, ação de vírus, poluição do ar, exposição a agrotóxicos, entre outros, podem contribuir para o estresse celular.
Fonte: O Globo