Fama veio de relatos de moradores em 1975 sobre levitações, gosma verde nas paredes e presença demoníaca na casa onde seis pessoas foram brutalmente assassinadas um ano antes
A casa mais famosa de Amityville, um vilarejo em Long Island (Nova York, EUA), foi inspiração para filmes e séries de terror. Nesta ano, faz 50 anos que "episódios mal-assombrados" foram registrados na residência de arquitetura colonial ao estilo holandês dos anos 1920.
Os "eventos paranormais" foram revelados em 1975 pelos primeiros moradores após um massacre na casa, ocorrido um ano antes. Após cinco décadas, muitos ainda discutem se todas as histórias assustadoras, que foram potencializadas pelo cinema, realmente aconteceram.
De uma coisa ninguém duvida: em 1965, Ron e Louise DeFeo se mudaram com seus cinco filhos para a casa, onde viveram anos felizes. Em 13 de novembro de 1974, entretanto, o filho mais velho do casal, Ronald DeFeo Jr., que tinha 23 anos, matou a tiros os pais e os quatro irmãos — Dawn, Allison, Marc e John Matthew —, alegando ter sido comandado por "vozes".
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"Depois que comecei, simplesmente não consegui parar", disse Ronald Jr. sobre o massacre. Ele foi posteriormente condenado por todos os assassinatos e sentenciado a seis sentenças consecutivas de prisão perpétua.
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A casa em Amityville, Nova York, que
inspirou filmes e séries de terror
A casa, no entanto, tornou-se ainda mais famosa pelos eventos "sobrenaturais" que ocorreram após o assassinato da família do que pelo crime hediondo que ali ocorreu.
George e Kathleen Lutz se mudaram para o imóvel "maldito" com os seus três filhos um ano após os assassinatos. Eles alegaram ter vivenciado uma série de "atividades paranormais" durante o tempo em que permaneceram na casa, incluindo levitação e paralisia temporária.
Os Lutz também alegaram ter visto "uma gosma verde escorrendo das paredes, uma porta sendo arrancada da dobradiça e presenças demoníacas na casa" — principalmente uma criatura parecida com um porco, com olhos vermelhos que brilhavam nas janelas.
George disse à ABC em 2016 que a cena de um filme sobre a casa em que um padre visita a casa e é ordenado a "sair" por uma voz desconhecida foi real. Ele alegou que o padre Ray Pecoraro, que abençoou a casa no dia em que a família se mudou, sentiu uma mão invisível lhe dar um tapa. De acordo com George, o padre posteriormente adoeceu com fortes sintomas gripais e suas mãos começaram a sangrar.
Diante desse "cenário assustador", George, Kathleen e os filhos fugiram da residência apenas 28 dias após a mudança.
FARSA?
A veracidade dos eventos retratados tanto no livro quanto no primeiro filme sobre a casa tem sido debatida ao longo dos anos. Muitos falavam em "fraude".
"Se tivéssemos tentado perpetrar algum tipo de farsa, acho que teríamos muito mais certeza de quando e como as coisas aconteceram, porque as teríamos inventado", disse George à revista "People" em 1977.
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George e Kathleen Lutz viveram na casa 'maldita' em
Amityville e relataram 'fenômenos sobrenaturais'
"Nossos críticos são pessoas que nunca estiveram na casa, apenas pessoas que leram um livro. Ninguém que esteve na casa, que investigou o caso, jamais chamou isso de farsa. Ninguém com credenciais que estivesse pessoalmente envolvido jamais chamou isso de farsa", declarou ele, dois anos depois ao "Washington Post"
O que se viu ao longo dos anos foi um embate. Em 1979, William E. Weber, advogado de defesa de Ronald Jr. no julgamento pelo massacre, afirmou que ele e George planejaram o enredo do livro juntos.
"É uma farsa. Criamos esta história de terror com muitas garrafas de vinho."
O advogado disse ainda que foi dele a ideia do "porco demoníaco".
Muitos anos depois, George defendeu a sua história em entrevista à ABC:
"Havia odores na casa que iam e vinham. Havia sons. A porta da frente batia no meio da noite. Não consegui me aquecer na casa por muitos dias."
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Turistas posam na frente da 'casa mal-assombrada'
em Amityville
O ex-morador da casa em Amityville alegou que era acordado todas as noites às 3h15 da manhã, horário aproximado em que Ronald Jr. teria matado sua família.
George também contou ter visto a sua esposa levitar e se mover sobre a cama.
Os filhos do casal apresentaram versões antagônicas. Daniel, um dos filhos, contou ao "New York Post", em 2012, uma história semelhante:
"Meu irmão e eu tivemos uma experiência de levitação em nossas camas. Nós dois acordamos e nossas cabeceiras e peseiras estavam se chocando e batendo no teto."
Christopher, seu irmão e enteado de George, declarou que os eventos foram "exagerados" para se adequar à ficção e manter viva a "fama" da casa, segundo contou ao "Seattle Times".
Kathleen morreu em 2004, enquanto George morreu em 2006, de problema cardíaco, pouco depois de ganhar o processo contra a MGM, por conta da refilmagem "Horror em Amityville", com Ryan Reinolds.
OS OUTROS MORADORES
O casal Lutz vendeu a residência para James e Barbara Cromarty em 1977 por US$ 55 mil (cerca de R$ 300 mil). Uma pechincha. O casal chegou a afirmar que os "estranhos eventos" na propriedade eram apenas "boatos".
"Nada de estranho aconteceu, exceto as pessoas que vieram por causa do livro e do filme", ??disse James.
Embora Jim e Barbara tenham deixado a casa por um tempo devido a visitas indesejadas após o lançamento do filme de 1979, "A Cidade do Horror", eles não conseguiram vender a propriedade no início, permanecendo lá até 1987.
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A Cidade do Horror' (à esquerda), o primeiro filme sobre a casa
em Amityville, de 1979, e 'Amityville: O Despertar', de 2017
REPRODUÇÃO
Os próximos compradores da casa, Peter e Jeanne O'Neill, pagaram bem mais, US$ 325 mil (R$ 1,8 milhão), pelo local. Nos 10 anos seguintes, eles a reformaram, trocando as infames janelas em formato de olho de gato por uma quadrada e preenchendo a piscina subterrânea.
"Eu amei, era uma casa muito bonita", contou Jeanne ao "Newsday".
Em 1997, Brian Wilson comprou a casa por US$ 310 mil (R$ 1,7 milhão). Ele fez outras mudanças na propriedade, adicionando uma segunda varanda nos fundos da casa e reformando a garagem de barcos.
De acordo com o "Telegraph", a casa foi anunciada por US$ 1,15 milhão (R$ 6,3 milhão) em 2010. Wilson acabou vendendo o imóvel para Caroline e David D'Antonio por US$ 950 mil (R$ 5,2 milhões).
A casa foi colocada à venda novamente por US$ 850 mil (R$ 4,7 milhões) em 2016. Permaneceu no mercado até março de 2017, quando foi vendida a um casal por US$ 605 mil (R$ 3,3 milhões), segundo o "New York Post", que é o proprietário até hoje.
A CASA PODE SER VISITADA?
Como a casa em Amityville é uma residência privada, visitantes públicos não são bem-vindos à propriedade, que teve seu endereço original alterado para impedir que os fãs a procurassem.
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O interior reformado da 'casa mal-assombrada' em
Amityville (Fotos: Reprodução/Instagram)
Em 2010, quando a casa foi aberta para leilão, centenas de fãs de histórias de terror foram visitar o imóvel, sem qualquer interesse de comprá-lo. Eles puderam circular até pelos andares superiores, onde ocorreu o massacre de 1974.
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Farsa ou não, o certo é que a casa em Amityville continua sendo uma das maiores referências do universo das histórias de terror.
Fonte: Extra