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Anne Kesy celebra final do Mundial Sub-20 e mira convocação para a Copa de 2027
Foto: Divulgação

Árbitra assistente amazonense integrou o trio brasileiro que comandou a decisão entre Espanha e Coreia do Norte e já iniciou preparação para o Mundial feminino no Brasil.

A árbitra assistente amazonense Anne Kesy Gomes de Sá viveu um dos momentos mais importantes de sua carreira ao participar da final da Copa do Mundo Feminina Sub-20, disputada no último domingo entre Espanha e Coreia do Norte. Ao lado da árbitra Charly Deretti e da assistente Fernanda Nandrea, Anne integrou o trio brasileiro responsável pela arbitragem da decisão, que terminou com o título da seleção espanhola.

 

A presença brasileira no jogo decisivo ganhou ainda mais destaque porque o trio foi o único do país entre os 68 oficiais selecionados pela FIFA para a competição. A lista contou com 18 árbitras, 36 árbitras assistentes e 14 árbitras de vídeo, representantes das seis confederações continentais.

 

Além da final, Anne Kesy, Charly Deretti e Fernanda Nandrea trabalharam em outras três partidas durante o Mundial: França x Coreia do Sul, China x Nigéria e Coreia do Norte x Japão. Para a amazonense, a convocação representou a realização de um sonho e também o reconhecimento de uma trajetória construída ao longo de 16 anos na arbitragem.

 

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“Ano passado já foi uma grande surpresa ser convocada pra Copa do Mundo Sub-17 e, neste ano, para o Sub-20 foi uma surpresa ainda maior. É o sentimento de que o trabalho que eu venho desenvolvendo está sendo visto e está valendo a pena, porque é como se fosse a continuação de um trabalho”, afirmou.

 

A possibilidade de participar da final começou a ganhar força depois da eliminação do Brasil nas quartas de final. Com a Espanha e a Coreia do Norte classificadas para a decisão, as possibilidades ficaram concentradas entre o trio brasileiro, uma equipe mexicana e outra dos Estados Unidos.

 

Quando a escalação foi anunciada, a expectativa deu lugar à emoção para as brasileiras.

 

“Ali nós já ficamos com o coração mais esperançoso e que a chance de estar na final era muito grande. Quando falaram o nome da nossa equipe, foi um momento de muita emoção para o nosso trio. Pra mim foi a realização de um sonho e a realização de que o trabalho que eu venho desenvolvendo há dezesseis anos está sendo recompensado. Um momento de ápice na carreira”, contou Anne.

 

O entrosamento entre as integrantes também foi considerado um dos fatores importantes para o desempenho. Anne trabalha com Charly e Fernanda há pouco mais de um ano, formando uma equipe que vem sendo mantida em diferentes competições nacionais e internacionais.

 

“Ocorre muito isso da equipe encaixar, ter um bom entrosamento e permanecer. A Charly, que é a nossa árbitra, está no processo do Mundial do ano que vem e eu e a Fernanda fazemos parte do trio dela. Ano passado fizemos uma excelente competição e este ano continuamos e fizemos uma grande competição”, explicou.

 

No futebol brasileiro, Anne Kesy também vem ganhando espaço. Em 2026, ela já participou de oito partidas da Série A do Campeonato Brasileiro e terá a nona oportunidade no dia 10, quando São Paulo e Vitória se enfrentarem no MorumBis. O número supera os seis jogos da primeira divisão que ela comandou no ano passado.

 

A atuação no Mundial Sub-20 aumentou ainda mais a expectativa para uma possível convocação para a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será disputada no Brasil. Mesmo tendo acabado de retornar de uma competição internacional, a amazonense afirma que já começou a pensar no próximo ciclo de preparação.

 

“Tudo que a gente pode fazer, estamos fazendo para estar nesse Mundial do ano que vem. Temos a Edna Alves Batista, que é a nossa referência e que, com certeza, vai para a Copa, temos a Daiane Muniz, que também é uma árbitra que já vem no processo há muito tempo, e temos a Charly. São três trios brasileiros muito fortes”, destacou.

 

A Copa do Mundo Feminina de 2027 está prevista para começar em 24 de junho. A convocação da equipe de arbitragem deverá ocorrer cerca de dois meses antes da competição, o que deixa os próximos meses como período decisivo para Anne manter o ritmo de preparação.

 

A assistente explica que o trabalho envolve muito mais do que a atuação durante as partidas. Treinamentos técnicos, preparação física, estudo e participação constante em competições fazem parte da rotina de quem busca permanecer no quadro internacional.

 

“A gente conta com um trabalho de grandes jogos na CBF, fazer Série A, Série B e se manter nessa constância. Também entra a parte técnica, de treinamentos técnicos, tudo que a gente pode fazer para estar refinando nossas habilidades. Além disso, tem a parte física, porque a exigência para o teste físico é um pouco maior. Essa é uma Copa do Mundo principal, então são vários fatores e várias habilidades que a gente tem que ir refinando para, quando chegar o ano que vem, estar 100%”, afirmou.

 

Para Anne, a profissionalização da arbitragem brasileira, anunciada em janeiro deste ano, também representa um avanço importante para quem busca atuar em alto nível. A amazonense é a única árbitra do Amazonas integrante da lista da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

 

“A profissionalização é um grande marco para a arbitragem brasileira, para o futebol brasileiro, porque hoje o árbitro pode se dedicar 100% a isso. Hoje posso fazer um curso de inglês, posso fazer uma preparação com um nutricionista, uma preparação com fisioterapeuta. Então consigo dividir mais o meu tempo em treinamentos voltados para a arbitragem”, destacou.

 

Integrante do quadro da FIFA desde 2022, Anne também busca manter a regularidade nas competições internacionais para garantir sua permanência entre as principais árbitras do mundo.

 

“A gente costuma falar que é difícil chegar, mas quando chega é mais difícil ainda se manter. Todo ano eu busco dar o meu melhor nos jogos e me manter em alto nível para, quando chegar o final do ano, estar nessa renovação de lista e permanecer FIFA”, disse.

 

Além da atuação em competições da CBF, a amazonense também participa regularmente de torneios organizados pela Conmebol. Segundo ela, a presença constante no cenário internacional é fundamental para seguir sendo considerada nas convocações.

 

“Todos os anos eu faço pelo menos duas competições da Conmebol. Isso é muito bom porque eu sempre estou ali no cenário da FIFA. Acho que isso é muito válido para mim e para a permanência no quadro”, afirmou.

 

Representar o Amazonas em competições internacionais também tem um significado especial para Anne Kesy. Ao longo da carreira, ela recebeu convites para atuar por outros estados que possuem equipes na Série A do Campeonato Brasileiro, mas decidiu permanecer no estado onde nasceu.

 

“Para mim tem um gosto muito especial. Antes de ser FIFA, nessa minha longa trajetória pela arbitragem, eu tive convites de ir para outros estados. As pessoas me falavam: ‘Vai para outro estado, porque estar no Amazonas é muito difícil’. E eu falei: ‘Não, eu vou ser FIFA e vou ser FIFA no Amazonas’”, contou.

 

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“Então eu tenho muito orgulho de ser amazonense e de poder representar o meu estado a nível mundial”, concluiu Anne Kesy. 

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