Autoridade sanitária reforça cuidados no uso de canetas emagrecedoras, mas mantém avaliação de que benefícios superam riscos quando há acompanhamento médico.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu nesta segunda-feira (9) um alerta sobre o risco de pancreatite associado ao uso das chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos originalmente indicados para o tratamento do diabetes e que se popularizaram pelo efeito na perda de peso.
O aviso foi divulgado após a notificação de 145 casos suspeitos de eventos adversos relacionados a esses fármacos entre 2020 e 7 de dezembro de 2025. Desse total, seis evoluíram para óbito. Segundo a Anvisa, os medicamentos envolvidos são antagonistas do receptor GLP-1, como semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida princípios ativos presentes em remédios como Ozempic, Wegovy, Saxenda, Trulicity e Mounjaro. Considerando também dados de estudos clínicos, o número de registros chega a 225.
Apesar do alerta, a agência reguladora afirma que não houve mudança na relação entre risco e benefício desses medicamentos. De acordo com a Anvisa, os benefícios terapêuticos ainda superam os possíveis efeitos adversos quando o uso segue as indicações aprovadas em bula e ocorre sob acompanhamento médico.
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Em nota, a farmacêutica Eli Lilly informou que a bula do Mounjaro já aponta a pancreatite aguda como uma reação adversa incomum. A empresa orienta que pacientes fiquem atentos aos sintomas, procurem um médico em caso de suspeita e interrompam o uso do medicamento se houver indicação profissional. Já a Novo Nordisk, responsável por Ozempic, Wegovy e Saxenda, destacou que o risco já está descrito nas bulas, mas que o aumento de notificações no Brasil e no exterior exige reforço das orientações de segurança.
A Anvisa explicou que o monitoramento foi intensificado devido à gravidade potencial da pancreatite aguda, que pode evoluir para formas necrosantes e até fatais. Ainda assim, reforçou que não há, até o momento, evidências suficientes para alterar as recomendações de uso dos medicamentos.

Foto: Reprodução
O alerta brasileiro segue movimento semelhante ao de outros países. No Reino Unido, a agência reguladora MHRA emitiu comunicado em janeiro após receber quase 1.300 notificações de pancreatite associada a esses medicamentos entre 2007 e outubro de 2025, incluindo 19 mortes e 24 casos de pancreatite necrosante.
Especialistas ouvidos afirmam que os registros da doença associados às canetas emagrecedoras são raros e não devem causar pânico na população. Segundo o gastroenterologista Rogério Alves, da Beneficência Portuguesa, a causa mais comum da pancreatite continua sendo a presença de cálculos na vesícula biliar, que podem obstruir o canal pancreático e desencadear inflamação.
Médicos não recomendam o uso desses medicamentos em pacientes com histórico de pancreatite recorrente, orientação que também consta na bula do Mounjaro. Estudos indicam que as canetas podem reduzir a contração da vesícula biliar, favorecendo a formação de cálculos, que indiretamente podem provocar a inflamação do pâncreas.
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Além disso, por retardarem o esvaziamento do estômago, esses remédios podem interferir na absorção de medicamentos orais, como anticoncepcionais, analgésicos e anticoagulantes, exigindo atenção redobrada durante o tratamento.