Uso do hormônio não é indicado de forma geral e deve ser restrito a situações específicas, com avaliação e acompanhamento médico.
A reposição de testosterona em mulheres não deve ser adotada de forma indiscriminada e precisa ocorrer somente em situações específicas, com indicação e acompanhamento médico. O alerta ganhou força diante da divulgação de conteúdos nas redes sociais que associam o uso do hormônio a benefícios como aumento da disposição, melhora da libido e efeitos estéticos.
Segundo especialistas e sociedades médicas, não há evidências que sustentem a ideia de que todas as mulheres precisam utilizar testosterona para combater o envelhecimento ou melhorar a saúde. A necessidade de tratamento deve ser avaliada individualmente, levando em consideração sintomas, exames e histórico clínico.
Orientações da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) apontam que a indicação terapêutica da testosterona para mulheres é bastante limitada.
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O hormônio pode ser considerado para mulheres na pós-menopausa diagnosticadas com transtorno do desejo sexual hipoativo. Mesmo nesses casos, a utilização precisa ser criteriosa e considerada quando outras estratégias de tratamento não apresentaram resultados satisfatórios.
As entidades também desaconselham a realização de testes de testosterona como uma espécie de avaliação de rotina para determinar se uma mulher precisa ou não fazer reposição hormonal. A chamada “deficiência androgênica” também não deve ser utilizada, isoladamente, como justificativa para prescrição.
USO INADEQUADO PODE PROVOCAR EFEITOS ADVERSOS
A utilização de testosterona sem indicação médica, em doses superiores às recomendadas ou associada a outras substâncias pode provocar diferentes efeitos colaterais.
Entre as possíveis consequências estão acne, queda de cabelo, alterações na função do fígado, mudanças nos níveis de colesterol e outros lipídios do sangue e problemas cardiovasculares. O uso inadequado de hormônios também pode estar relacionado a dependência psicológica.
Dados acompanhados pela Anvisa apontam crescimento nas notificações de eventos adversos relacionados a medicamentos anabolizantes nos últimos anos, com destaque para os registros realizados em 2024. Testosterona e somatropina aparecem entre as substâncias que concentram parte significativa das notificações.
A agência, porém, ressalta que o aumento dos registros não significa necessariamente que os efeitos adversos tenham crescido na mesma proporção. A elevação pode estar relacionada também à maior participação de pacientes e profissionais de saúde nos sistemas de farmacovigilância e à expansão dos mecanismos de notificação.
PROMESSAS NAS REDES SOCIAIS EXIGEM CAUTELA
A popularização da testosterona entre mulheres também tem sido impulsionada por publicações que prometem mais energia, aumento da libido, ganho de massa muscular e melhora da aparência.
Especialistas alertam que essas promessas não devem ser interpretadas como indicação para o uso do hormônio. A testosterona é um medicamento que pode apresentar riscos quando utilizada sem necessidade ou sem acompanhamento adequado.
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Por isso, a orientação é que qualquer decisão sobre reposição hormonal seja tomada individualmente, após avaliação de um profissional de saúde, evitando tratamentos baseados exclusivamente em informações divulgadas nas redes sociais.