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Apagões e crise financeira marcam histórico da Amazonas Energia antes de nova gestão
Foto: Divulgação

Concessionária enfrentou interrupções no fornecimento, protestos de consumidores e dificuldades econômico-financeiras antes da transferência de controle para a Âmbar

Uma entrevista que voltou a circular nas redes sociais durante um dos períodos de apagão no Amazonas reacendeu antigas reclamações de moradores sobre o fornecimento de energia elétrica no Estado. O episódio ocorreu durante um protesto no bairro Japiim, na zona Sul de Manaus, quando um morador questionou quem estava à frente da Amazonas Energia e onde estaria o CEO da concessionária.

 

A repercussão trouxe novamente ao debate público uma série de episódios registrados nos últimos anos, envolvendo interrupções no fornecimento, manifestações de consumidores, problemas que afetaram serviços essenciais e questionamentos sobre a situação econômico-financeira da empresa.

 

A Amazonas Energia passou por uma transformação importante em 2018, quando ocorreu o processo de desestatização da distribuidora. Naquele ano, o consórcio formado pela Oliveira Energia e pela Atem venceu o leilão e assumiu o controle da companhia.

 

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A privatização foi acompanhada da previsão de investimentos na rede elétrica e de medidas para melhorar a prestação do serviço. Com o passar dos anos, entretanto, a concessionária passou a enfrentar novos questionamentos relacionados ao equilíbrio econômico-financeiro da concessão e aos custos necessários para manter a operação no Amazonas.

 

O tema também passou a ser acompanhado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pelo Ministério de Minas e Energia, que analisaram mecanismos relacionados à situação da distribuidora e às características específicas do sistema elétrico amazonense.

 

Entre os episódios que ganharam repercussão está uma sequência de interrupções no município de Manacapuru, na Região Metropolitana de Manaus, em 2024.

 

Em abril daquele ano, a cidade enfrentou uma interrupção prolongada no fornecimento de energia. No mês seguinte, em maio, um novo apagão deixou parte da população sem eletricidade por várias horas.

 

Segundo informações divulgadas na época pela Amazonas Energia, o primeiro problema esteve relacionado ao desligamento inesperado da linha de transmissão Lechuga-Manaus. No episódio de maio, a empresa informou que a ocorrência foi provocada por um desligamento não programado da linha Iranduba-Manacapuru.

 

Os impactos ultrapassaram as residências e estabelecimentos comerciais. Durante o apagão de maio, serviços como internet e abastecimento de água também foram afetados, segundo relatos de moradores.

 

A interrupção ainda prejudicou atividades esportivas. Uma partida entre Princesa do Solimões e Manaus FC, válida pela Série D do Campeonato Brasileiro, precisou ser interrompida no Estádio Gilbertão devido à falta de energia elétrica.

 

Em Manaus, os problemas também chegaram a unidades de saúde. Durante uma interrupção registrada em abril de 2024, o Hospital e Pronto-Socorro Platão Araújo enfrentou dificuldades relacionadas ao funcionamento do gerador de emergência.

 

O episódio provocou cobranças do deputado estadual Wilker Barreto, que solicitou explicações à Amazonas Energia e chamou atenção para a necessidade de garantir condições adequadas para o funcionamento dos equipamentos de emergência das unidades hospitalares.

 

Além dos grandes apagões, ocorrências pontuais também afetaram diferentes áreas da capital. Em agosto de 2024, um incêndio em um poste no cruzamento das avenidas Salvador e Mário Ypiranga Monteiro prejudicou o fornecimento de energia em trechos das zonas Sul e Centro-Sul de Manaus.

 

A ocorrência também provocou congestionamentos e mobilizou equipes para realizar a recomposição do sistema. Nas redes sociais, moradores utilizaram os canais digitais para relatar a falta de energia e cobrar melhorias na infraestrutura da rede elétrica.

 

O histórico de interrupções passou a alimentar manifestações e reclamações de consumidores que cobravam maior estabilidade no fornecimento. Os problemas também chamaram atenção para os impactos econômicos provocados pela falta de energia, principalmente para comerciantes e empresas que dependem do serviço para manter suas atividades.

 

Enquanto as reclamações sobre o fornecimento continuavam, a concessionária entrou em uma nova fase de mudanças societárias.

 

Em 2026, a Âmbar avançou no processo de transferência de controle da Amazonas Energia. Documentos divulgados pela própria companhia em março daquele ano já apontavam para a mudança no controle acionário e na administração da distribuidora.

 

A mudança ocorreu após anos de discussões envolvendo a situação financeira da empresa e as particularidades da concessão no Amazonas.

 

Mesmo com a alteração na estrutura de controle, a distribuidora continua submetida ao acompanhamento dos órgãos reguladores. Em agosto de 2026, a Aneel homologou um repasse preliminar de R$ 655,1 milhões à Amazonas Energia por meio de um mecanismo destinado às concessionárias das regiões Norte e Nordeste.

 

A nova fase coloca investimentos e modernização da infraestrutura entre os principais pontos de atenção para o setor elétrico amazonense.

 

Para os consumidores, porém, o resultado mais esperado está relacionado à qualidade do serviço. A redução das interrupções e a maior estabilidade no fornecimento são demandas de moradores, comerciantes e empresas que dependem diariamente da energia elétrica.

 

Em hospitais e outras unidades que prestam serviços essenciais, a continuidade do fornecimento também é fundamental para manter equipamentos e atendimentos em funcionamento.

 

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Assim, a mudança de controle representa uma nova etapa para a Amazonas Energia, mas também mantém em evidência desafios acumulados ao longo dos últimos anos. O acompanhamento dos investimentos, da situação financeira da concessão e dos indicadores de qualidade do serviço deverá mostrar como a nova gestão pretende responder às antigas reclamações dos consumidores do Amazonas. 

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