Ex-primeira-dama pediu aos próximos visitantes que se abstenham de atitudes que possam deturpar finalidade dos encontros autorizados e prejudicar a imagem do marido
O deputado federal Zucco (PL), líder da oposição na Câmara, disse que teve "boa intenção" ao aparecer nas redes sociais com duas peças de carne e sugerir a realização de um churrasco durante sua visita a Jair Bolsonaro.
Com aval do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o parlamentar encontrou nesta quinta-feira o ex-presidente, que está em prisão domiciliar desde 4 de agosto. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) rebateu o deputado, negou o suposto churrasco e pediu que os próximos visitantes adotassem uma postura de respeito à "sensibilidade" do momento.
Em nota enviada ao GLOBO, Zucco confirmou que pretendia assar as carnes para Bolsonaro, mas disse nunca ter confirmado o efetivo preparo da refeição. O deputado chegou a levar os itens para a visita, mas afirmou ter desistido da ideia pelas condições de saúde do ex-presidente.
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"Era apenas uma intenção, uma boa intenç?o, que não foi efetivada devido ao estado de saúde em que ele se encontrava. Por isso, fiz uma rápida visita e fui embora para não atrapalhar seu repouso. Peço desculpas a ele e à primeira-dama se a minha atitude causou desconforto a sua família", afirmou.
Pelas redes sociais, apoiadores de Bolsonaro questionaram o comportamento de Zucco. Sem mencionar o nome do líder da oposição na Câmara, o ex-secretário de Comunicação do governo de Jair Bolsonaro e advogado do ex-presidente em diferentes processos Fabio Wajngarten compartilhou a postagem de Michelle e criticou que "oportunistas" façam visitas "apenas para sair lacrando".
"Tem oportunistas indo/pretendendo visitar o Presidente apenas para sair lacrando. Cambada de egoistas, insensíveis, e desumanos. Já tinha a sensação disso, agora tenho a certeza com a manifestação correta da Primeira Dama. Vamos respeitar o momento do Presidente e de sua família. Boas ações se fazem de maneira silenciosa, discreta e anônima", escreveu no X.
Antes de chegar à casa do ex-presidente, o líder da oposição apareceu numa rede social com duas peças de carne nas mãos e disse que as levaria, junto com carvão, para o encontro com o aliado.
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Pelo Instagram, Michelle Bolsonaro destacou que o churrasco "não ocorreu".
"O episódio ocorrido hoje em minha residência, envolvendo o deputado Zucco, não contou com a nossa anuência. A visita tinha caráter restrito, breve e voltado exclusivamente a fins humanitários — e não conforme divulgado pelo parlamentar em vídeo, no qual, ao deixar sua residência, afirmou que realizaria um churrasco em minha casa. Tal evento não ocorreu", disse ela.
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Fotos:Reprodução
Na publicação, Michelle agradeceu o "carinho" que muitas pessoas, segundo ela, têm desejado transmitir ao marido e destacou que as visitas têm sido permitidas de forma pontual. A ex-primeira-dama cobrou comportamento dos próximos autorizados a ver Bolsonaro em casa.
"Solicito a colaboração dos próximos visitantes autorizados para que compreendam e respeitem a sensibilidade do momento, abstendo-se de atitudes que possam deturpar a finalidade da visita ou prejudicar a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro", afirmou Michelle.
Depois de sair da casa de Bolsonaro, Zucco classificou como "revoltante" ver o ex-presidente "usando a tornozeleira, com muito soluço, com uma saúde debilitada". O líder da oposição criticou o fato de o aliado estar preso sem ter sido condenado. Ele destacou ter conversado sobre o andamento de pautas na Câmara e sobre a reação ao que chamou de "abusos" de Alexandre de Moraes.
Bolsonaro teve a prisão domiciliar decretada por Moraes, em 4 de agosto. O magistrado considerou que o ex-presidente violou reiteradamente medidas cautelares — como a de não se pronunciar em redes sociais de terceiros — impostas no bojo de uma investigação sobre uma suposta atuação dele com o filho Eduardo Bolsonaro "com a finalidade de tentar submeter o funcionamento do STF ao crivo de outro Estado estrangeiro" — no caso, os Estados Unidos.
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Moraes justificou a medida com base na participação do político por telefone na manifestação contra o STF e a favor da anistia que reuniu apoiadores em Copacabana, na Zona Sul do Rio, no domingo anterior. Bolsonaro deve ser julgado no próximo mês sob a acusação de tramar um golpe de Estado depois da derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022. A defesa do ex-presidente apresentou as alegações finais nesta quarta-feira.
Fonte:O Globo