A camaronesa Koyo Kouoh morreu de forma repentina no início do mês, aos 57 anos
Os organizadores da Bienal de Veneza anunciaram nesta terça-feira que a edição do próximo ano prosseguirá conforme o planejado, apesar da morte repentina, neste mês, de Koyo Kouoh, curadora que supervisionava a exposição principal. Kouoh morreu de câncer em 10 de maio, poucos dias antes de revelar o título e o tema do evento.
Cristiana Costanzo, porta-voz da Bienal, disse que a edição do próximo ano ocorrerá de 9 de maio a 22 de novembro e que uma equipe de curadores, historiadores da arte e editores que vinham trabalhando com Kouoh apresentará a exposição "como ela a concebeu e definiu".
Kouoh vinha preparando a exposição há quase sete meses, disse Costanzo: trabalhando com uma equipe de cinco membros, ela selecionou alguns dos artistas e obras de arte participantes e deu o título "Em Tons Menores". Durante a coletiva, membros da equipe usaram as palavras de Kouoh para apresentar seu plano.
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Gabe Beckhurst Feijoo, historiador de arte da equipe, disse que Kouoh queria que sua Bienal não fosse "nem uma ladainha de comentários sobre eventos mundiais, nem uma desatenção ou fuga de crises que se agravam e se cruzam continuamente". Em vez disso, Beckhurst Feijoo disse que Kouoh queria apresentar "uma reconexão radical com o habitat natural da arte e seu papel na sociedade — ou seja, o emocional, o visual, o sensorial, o afetivo, o subjetivo".
Outra integrante da equipe, Marie Helene Pereira, curadora, explicou o título da exposição. "Se na música, as tonalidades menores são frequentemente associadas à estranheza, à melancolia e à tristeza", disse ela, na exposição de Kouoh, elas também seriam associadas à "alegria, consolo, esperança e transcendência".
A equipe não revelou os nomes dos artistas que participarão da mostra, embora tenham informado que a exposição principal incluirá poesia e cinema. Costanzo disse que a Bienal anunciará a lista completa de artistas participantes em 25 de fevereiro de 2026.
Antes desse anúncio, a curadora da Bienal de Veneza costuma passar meses viajando pelo mundo, visitando os estúdios dos artistas à medida que a lista se forma. A apresentação de terça-feira ocorreu diante de slides de fotografias que Kouoh e sua equipe tiraram nessas viagens, incluindo muitas que pareciam ter sido feitas na África, Ásia e América do Sul.
A equipe de Kouoh não se referiu às imagens durante a apresentação, mas Costanzo afirmou posteriormente em um e-mail que "a apresentação de slides tinha como objetivo comunicar os estados de espírito em torno da concepção da exposição".
Realizada pela primeira vez em 1895, a Bienal de Veneza é um dos eventos mais importantes do mundo da arte, e cada edição inclui uma grande exposição coletiva, organizada por um curador, além de dezenas de pavilhões nacionais que os países participantes organizam de forma independente.
Quando os organizadores da Bienal pediram a Kouoh para supervisionar a exposição principal, ela foi a primeira mulher africana a receber tal convite. Ela se destacou como curadora-chefe do Zeitz MOCAA na Cidade do Cabo, África do Sul, embora também tenha trabalhado nas equipes de curadoria de várias grandes exposições internacionais, incluindo duas edições da Documenta na Alemanha. Ela tinha 57 anos quando faleceu.
Em uma entrevista ao New York Times em dezembro, Kouoh disse que queria fazer uma exposição "centrada no artista" que "realmente falasse com os nossos tempos". Ela acrescentou: "Os artistas definirão para onde iremos".
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A apresentação de terça-feira terminou com a leitura de um poema que Kouoh escreveu em 2022 e que queria apresentar na coletiva de imprensa. “Estou cansada, as pessoas estão cansadas, todos nós estamos cansados”, começava seu poema: “Até a própria arte está cansada”. “Precisamos estar com a beleza”, escreveu Kouoh, “e muita beleza”.
Fonte: O Globo