Após anos de dor tratada como doença benigna e até ser aconselhada a colocar DIU, mulher tem de passar por cirurgia radical contra o câncer
A inglesa Gina Thornton viveu por anos com coceiras e dores em sua região íntima, que ela descreveu como “uma sensação constante de que eu estava pegando fogo”. Apesar de buscar apoio médico e passar por uma série de procedimentos em busca de alívio, incluindo a implantação de um DIU, ela só descobriu muito tarde que o sintoma ignorado pelos médicos tinha origem em um câncer.
A dona de casa vivia há quase 10 anos com diferentes diagnósticos de doenças inflamatórias e infecções no sistema reprodutor, mas descobriu que a piora de sintomas que havia sentido era fruto de um câncer que havia se espalhado por toda região pélvica. O tumor a levou, em 2024, a uma cirurgia radical que amputou o ânus, o períneo e a vulva dela.
Os sintomas começaram quando ela tinha 46 anos, em 2016. Com as menstruações cada vez mais irregulares e com a vulva constantemente inchada, ela foi diagnosticada com endometriose. E também foi tratada para candidíase, uma infecção fúngica comum na vagina.
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Os sintomas, porém, seguiam e ela ainda foi diagnosticada, poucos meses depois, com líquen escleroso, uma doença de pele inflamatória que causa manchas com coceira, geralmente ao redor dos genitais.
Por alguns anos, ela conseguiu administrar os sintomas a partir dos tratamentos feitos para estes diagnósticos. Em 2024, porém, os sintomas pioraram e ela passou a sentir coceira e a sensação de queimação contínuas, a ponto de não conseguir dormir.Com agravamento dos sintomas, Gina, então com 57 anos, foi encaminhada para colocação de DIU hormonal para tentar diminuir os sintomas. A medida resultou em crises mais intensas e aumento da sensação de queimação. Foi só após a precoce retirada do dispositivo que exames de imagem comprovaram a causa do novo incômodo: câncer vulvar em estágio inicial.
A lesão evoluiu rapidamente para cisto doloroso e depois se rompeu. Após semanas de investigação e biópsia, confirmou-se câncer de vulva em estágio 1B em decorrência de uma infecção por HPV. O estágio 1B indica tumor maior que 2 centímetros.
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O câncer vulvar é considerado raro, um tipo de câncer ginecológico que afeta a região externa do sistema reprodutor feminino. Ele ocorre em média com 2 mulheres a cada 100 mil pessoas. Em 2022, no mundo foram 47 mil mulheres diagnosticadas e 18 mil morreram em decorrência deste tumor segundo dados do Globocan do IARC/OMS.
Fonte: Metrópoles