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Após críticas à indicação, Waguinho aguarda retorno de Lula ao Brasil para definição sobre Portos do Rio
Foto: Reprodução

Prefeito de Belford Roxo vai se reunir com presidente entre esta e a próxima semana; nomeação rendeu posicionamentos contrários por supostamente ferir Lei das Estatais

Após a indicação de Wagner Carneiro, o Waguinho, ex-prefeito de Belford Roxo, para o comando da PortosRio ter provocado críticas no setor portuário e entre aliados do Palácio do Planalto, o indicado aguarda o retorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Brasil.

 

Lula está em missão internacional na China e participará do velório do ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica. A expectativa é que os dois se reúnam entre o fim desta semana e o início da próxima.

 

Nesse encontro, Lula deve decidir se mantém a indicação de Waguinho para a presidência da antiga Companhia Docas do Rio de Janeiro, estatal responsável pela administração dos portos públicos federais no estado. Desde ontem, Waguinho está em Brasília e tem mantido agendas com interlocutores do governo federal.

 

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A possível nomeação movimentou o setor. A Associação Brasileira de Usuários de Portos, de Transportes e de Logística, que representa empresas privadas do setor, enviou um ofício ao ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, questionando uma possível “ilegalidade” na nomeação. A entidade lembrou que a Lei das Estatais estabelece um período de quarentena de 36 meses para dirigentes partidários antes de assumirem cargos em empresas públicas. Desde 2023, Waguinho é presidente do diretório estadual do Republicanos.

 

A articuladores políticos, Waguinho tem adotado um tom de tranquilidade. Ele alega que nunca assumiu de forma definitiva o comando do Republicanos no estado, mas apenas de forma provisória. Caso se confirme um impedimento legal, aliados afirmam que ele poderá ser realocado em outro cargo do terceiro ou quarto escalão do governo federal.

 

A articulação para sua nomeação teria partido do próprio presidente Lula, com aval do ministro Silvio Costa Filho e do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. A indicação é vista como um gesto de reconhecimento a um dos principais aliados do presidente na Baixada Fluminense — região onde Lula enfrentou forte resistência eleitoral em 2022 e busca ampliar seu apoio visando as eleições de 2026. A expectativa é que Waguinho contribua com a reestruturação do Porto do Rio, projeto defendido pelo governo como um cartão-postal da gestão federal no estado.

 

Waguinho é filiado ao Republicanos, tem forte relação com o segmento evangélico e atuou ativamente para ampliar a base de apoio de Lula no Rio de Janeiro. Ele é casado com a ex-ministra do Turismo Daniela Carneiro, exonerada do cargo em 2023 após seu rompimento com o União Brasil.

 

Apesar do apoio direto do presidente, a possível nomeação de Waguinho gerou incômodo em setores do PT. A principal crítica entre integrantes da base diz respeito à sua proximidade com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, figura central no processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

 

Waguinho e Cunha atuaram juntos no comando do diretório estadual do Republicanos até a semana passada, quando ambos foram destituídos por decisão da cúpula da Igreja Universal do Reino de Deus — instituição ligada à fundação do partido. O motivo seria o incômodo com o avanço da ala política sobre a ala religiosa da legenda.

 

Aliados de Cunha avaliam a possível nomeação de Waguinho como “natural”, já que o ex-prefeito apoiou Lula nas eleições. O apoio, no entanto, não teve o endosso de Cunha, que vem se posicionando contra o governo federal.

 

Além das disputas políticas, pesa contra Waguinho o fato de ele ser alvo de uma investigação da Polícia Federal. Em fevereiro deste ano, ele passou a ser investigado em um inquérito que apura supostas fraudes na compra de livros didáticos durante sua gestão à frente da Prefeitura de Belford Roxo. Embora as investigações ainda estejam em andamento, o caso já gera desconforto em setores do governo preocupados com o impacto político da nomeação.

 

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A presidência da PortosRio é considerada um cargo estratégico no estado do Rio de Janeiro, com influência sobre setores importantes como logística, comércio exterior e infraestrutura. A possível escolha de Waguinho reforça a estratégia do governo federal de ampliar alianças regionais diante das dificuldades de consolidar apoio partidário em nível nacional. 

 

Fonte: O Globo

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