Tragédia no Encontro das Águas deixou três mortos, cinco desaparecidos e resultou em processo criminal contra o piloto da embarcação.
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) encerrou oficialmente as buscas pelos cinco passageiros que continuam desaparecidos após o naufrágio da lancha Lima de Abreu XV, ocorrido no dia 13 de fevereiro, na região do Encontro das Águas, em Manaus. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (8), marcando o fim de uma das maiores operações de busca já realizadas pela corporação nos rios do estado.
Segundo o CBMAM, as equipes iniciaram os trabalhos logo após o acidente e mantiveram uma operação intensa durante 34 dias consecutivos, mobilizando diariamente cerca de 50 bombeiros militares, além de embarcações, mergulhadores e equipamentos especializados para varreduras na área do naufrágio.
Após esse período, diante da ausência de novos indícios que pudessem levar à localização das vítimas, as buscas passaram a ocorrer de forma intermitente, duas vezes por semana, até serem oficialmente encerradas.
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Mesmo com o fim da operação, o Corpo de Bombeiros informou que permanecerá em estado de prontidão e poderá retomar as buscas caso surjam novas informações que indiquem o possível paradeiro dos desaparecidos.
Continuam desaparecidos Patricia Barroso da Silva, Romualdo de Almeida, Renato Alan, Apoliana Oliveira e Ana Carla.
A corporação informou ainda que familiares de três das vítimas solicitaram o Boletim de Ocorrência emitido pelo Corpo de Bombeiros. O documento, registrado no Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), é necessário para que os parentes possam ingressar na Justiça com o pedido de declaração de morte presumida, procedimento previsto quando não há localização da vítima após longo período de buscas.
TRAGÉDIA NO ENCONTRO DAS ÁGUAS
A lancha Lima de Abreu XV realizava a rota entre Manaus, Nova Olinda do Norte e Tefé quando naufragou na tarde de 13 de fevereiro, nas proximidades do Encontro das Águas, um dos principais cartões-postais da capital amazonense.
O acidente provocou uma grande mobilização das forças de segurança. Logo após o naufrágio, o Corpo de Bombeiros deslocou 25 militares, três lanchas de resgate, oito viaturas, uma embarcação da Polícia Militar do Amazonas (PMAM) e uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para prestar socorro às vítimas.

Cantor gospel, Fernando Cortez, vítima do naufrágio (Foto: Arquivo Pessoal)
Ao todo, 71 pessoas foram resgatadas com vida.
Entretanto, três passageiros morreram na tragédia: Samila de Souza, de apenas 3 anos, Fernando Cortez, cuja idade não foi divulgada, e Lara Bianca, de 22 anos.
PILOTO RESPONDE POR HOMICÍDIO QUALIFICADO
As investigações sobre o acidente seguem na esfera criminal. O piloto da embarcação, Pedro José da Silva Gama, de 43 anos, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça do Amazonas dois dias após o naufrágio.
Inicialmente preso em flagrante, ele chegou a ser colocado em liberdade após o pagamento de fiança. No entanto, em 16 de março, apresentou-se voluntariamente para cumprir o mandado de prisão preventiva.

Pedro José da Silva Gama, réu por homicídio qualificado
Foto: Junio Matos/AC/17/02/2026
Posteriormente, em 24 de abril, a Justiça recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM), tornando Pedro José réu pelo crime de homicídio qualificado.
Segundo a denúncia assinada pelo promotor Thiago de Melo Roberto Freire, sobreviventes relataram que o piloto conduzia a embarcação em alta velocidade e estaria disputando um suposto "racha" com outra lancha momentos antes do acidente, circunstância que pode ter contribuído para o naufrágio.
Até o momento, a Justiça ainda não definiu se o piloto será submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri.
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Com o encerramento das buscas, o caso entra em uma nova fase, enquanto familiares das vítimas desaparecidas seguem à espera de respostas e do desfecho das investigações sobre uma das maiores tragédias fluviais registradas no Amazonas nos últimos anos.