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Após prometer campanha contra STF na Europa, Zambelli submerge na mira da polícia
Foto: Reprodução

Deputada foragida ambicionava périplo pelo Parlamento Europeu e até em conselho da ONU, mas abandonou os holofotes após entrar na lista da Interpol

A deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP), que anunciou sua fuga do Brasil há mais de 40 dias prometendo comandar uma campanha contra o Supremo Tribunal Federal (STF) na Europa, nos moldes do que o colega Eduardo Bolsonaro (PL-SP) vem executando nos Estados Unidos, submergiu sob a mira da Interpol e da Polícia Federal (PF).

 

Desde que chegou à Itália, em 5 de junho, Zambelli não concedeu entrevistas e nem fez lives – bem diferente do período anterior, quando fez uma série de aparições ainda nos Estados Unidos, para onde viajou em maio após deixar o Brasil sem comunicar oficialmente a Câmara dos Deputados.

 

A deputada fugiu do Brasil depois de ser condenada pelo Supremo a dez anos de prisão e à perda do mandato por envolvimento na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), junto com o hacker Walter Delgatti. Com a condenação, ela ficou inelegível por oito anos.

 

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Em entrevista ao bolsonarista Paulo Figueiredo, que vive nos EUA e foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no âmbito da trama golpista, no mesmo dia em que anunciou ter deixado o Brasil, Zambelli manifestou interesse em criticar a atuação do ministro do STF Alexandre de Moraes não só na Itália, como também na França, Espanha e Portugal.

 

Em outra ocasião, a deputada se disse disposta a denunciar a “censura” no Brasil no Parlamento Europeu em Estrasburgo, França, no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas em Genebra, na Suíça, e “nos bastidores da diplomacia internacional”.

 

Nada disso ocorreu nos últimos 40 dias, no entanto – muito em função da inclusão de seu nome no rol da difusão vermelha da Interpol após o STF expedir um mandado de prisão preventiva.

 

A medida abriu caminho para que as autoridades italianas prendessem Zambelli independente de seu passaporte – embora Zambelli se julgasse “intocável” no país europeu por conta de sua dupla cidadania.

 

Desde então a parlamentar se limitou a gravar um vídeo no dia 27 de junho convocando apoiadores para o ato bolsonarista na Avenida Paulista que ocorreu dois dias depois – o material foi divulgado por páginas apoiadoras de Jair Bolsonaro, uma vez que suas redes sociais estão bloqueadas por decisão do Supremo.

 

Após ter a localização de um vídeo gravado nos EUA desvendada por um youtuber, a deputada optou por fazer o registro em um cômodo fechado e com um enquadramento restrito.

 

Sorridente e se apresentando como “exilada política na Itália”, Zambelli apelou aos apoiadores para que aderissem à manifestação. “Vocês me representam”, disse na gravação.

 

Outra exceção ocorreu após a manifestação bolsonarista, no qual o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), pediu aplausos à deputada, ao ex-ministro Walter Braga Netto e ao ex-deputado Daniel Silveira, que estão presos no Brasil.

 

Em breve declaração à CNN Brasil, Zambelli afirmou que o gesto demonstra “que o povo não me esqueceu e guarda esse carinho por mim”.

 

OCUPAÇÃO IRREGULAR


No período em que submergiu, Zambelli passou por outra situação insólita: o prazo limite para a desocupação de seu apartamento funcional em Brasília expirou e a deputada licenciada passou a estar sujeita a multas e indenizações que já passavam de R$ 6 mil até a última sexta-feira (11). No local vivem seu filho, João, e sua mãe, Rita, que não deixaram o imóvel da Câmara dos Deputados no prazo estipulado pelo regramento da Casa.

 

Como mostramos no blog, os advogados de Zambelli tentaram isentar a parlamentar das multas sob a alegação de que ela promoveu benfeitorias na unidade, mas a possibilidade de livrá-la das punições administrativas foi descartada pela Câmara. A defesa da deputada do PL se comprometeu a entregar o apartamento no prazo de dez dias e, de acordo com a assessoria da Câmara, a devolução ocorrerá nesta terça-feira.

 

PARADEIRO DESCONHECIDO


Segundo as últimas pistas da PF às quais a equipe do blog teve acesso, Zambelli estaria na região metropolitana da capital da Itália.

 

“Não creio que tenha saído da Itália, ela poderia ser eventualmente presa na fronteira. Imagino que a polícia está farejando, mas não nos informa passo a passo”, disse ao blog uma fonte que acompanha de perto as movimentações nos bastidores. “Zambelli está bem escondida.”

 

Ela deixou o Brasil em 25 de maio pela fronteira do país com a Argentina em Foz do Iguaçu (PR), onde não há controle migratório.

 

Em Buenos Aires, a parlamentar então embarcou para os Estados Unidos, de onde anunciou a fuga no dia 3 de junho. Em solo americano, antecipou que viajaria para a Itália por acumular a cidadania do país europeu e, da Flórida, embarcou para Roma, onde aterrissou no dia 5 de junho. Horas depois foi emitido o alerta da Interpol.

 

Segundo a equipe do blog apurou, as autoridades italianas concentraram as buscas pela deputada no entorno de Roma depois de uma varredura por Vêneto, no Nordeste da Itália.

 

As forças policiais também tentam rastrear um imóvel na região metropolitana da capital italiana que teria sido alugado para acomodar Zambelli e seu marido, Aginaldo Oliveira, que era secretário de Segurança Pública de Caucaia (CE) até ser exonerado no último dia 1º.

 

POSSÍVEL PRISÃO E EXTRADIÇÃO


A inclusão de Zambelli na lista de difusão da Interpol e a chancela da Itália ao alerta da corporação internacional derrubaram qualquer obstáculo à detenção da deputada que se julgava intocável.

 

Com o risco iminente de prisão, a estratégia de Zambelli passou a contemplar a possibilidade de cumprir a pena no país europeu. O advogado Fábio Pagnozzi assumiu sua defesa justamente com o objetivo de impedir sua extradição.

 

O deslocamento para o Brasil, por sua vez, dependeria do aval da Itália, atualmente governada pela direitista Giorgia Meloni. A primeira-ministra é exaltada por bolsonaristas e compartilha diversas bandeiras com a extrema direita brasileira, mas também mantém boas relações com Lula.

 

Existem antecedentes de brasileiros com cidadania italiana que foram extraditados para cumprir pena no Brasil. É o caso do ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, condenado a 12 anos de prisão por corrupção no caso do Mensalão em 2013.

 

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Pizzolato fugiu para o país europeu antes do mandado de prisão e foi capturado um ano depois. Ele solicitou inicialmente o cumprimento da pena na Itália, mas foi extraditado para o Brasil em 2015.

 

Fonte: O Globo
 

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