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Após salto em pesquisa, Augusto Cury posta vídeo com alfinetada contra Lula, Bolsonaro e Marçal
Foto: Reprodução

Candidato do Avante ganhou quase 2,5 milhões de seguidores no Instagram em uma semana e viu popularidade digital crescer

Depois de chegar a 10% das intenções de voto na pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira, e assumir com isso o terceiro lugar isolado da disputa à Presidência, Augusto Cury (Avante) publicou um vídeo nas redes sociais em que se coloca como o único capaz de "ajudar o Brasil a voltar a se ouvir, a pensar e a colocar o país acima dessa guerra interminável". Ele diz não querer ser "mais um lado".

 

No vídeo, um casal de atores interage com um quadro que exibe imagens de outros concorrentes ao Planalto — Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Pablo Marçal (PRTB) — conectadas por fios. Ao centro, aparece a foto do escritor. O "marido" da história se questiona se, pela primeira vez, "o Brasil não quer mais do mesmo".

 

"Direita e esquerda pensando em votar na mesma pessoa?", ele se pergunta, antes de comentar com a companheira a presença, no páreo, de um candidato que busca transcender os "lados" do embate político da História recente nacional. O casal aponta para Flávio como alguém que "sempre defende a direita" e para Lula, como quem "sempre defende a esquerda". O take inclui uma alfinetada para Pablo Marçal, descrito como um político "que falou que votaria nulo", em referência à declaração de voto do empresário durante a corrida à prefeitura de São Paulo, em 2024.

 

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A peça de campanha ainda lista a trajetória de Cury como psiquiatra, professor e escritor.

 

 

— O mais relevante não é isso. O mais relevante é ver pessoa que jamais sentaria na mesma mesa para discutir política querendo votar no mesmo cara — afirma o marido, antes de a imagem focar na foto de Cury.

 

O vídeo questiona se o Brasil "está acordando". O escritor, que tinha apenas 2% das intenções de voto no levantamento anterior, agora alcançou 10%, ultrapassa Renan Santos (Missão) e assume o terceiro lugar entre os presidenciáveis mais bem posicionados.

 

Apesar de a peça de campanha citar apoio de várias ideologias ao escritor, o crescimento de Cury foi puxado pelos eleitores que se consideram independentes politicamente — ou seja, nem de esquerda, nem de direita.

 

Divulgada nesta quarta-feira, a pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal O GLOBO.

 

Entre os eleitores independentes, 24% dizem ter intenção de votar em Cury em um primeiro turno, o maior número entre todos os candidatos. No recorte de posições políticas, os independentes são o maior grupo, representando 32% dos eleitores.

 

Nesse grupo, o escritor supera inclusive Lula (PT), com 21% — embora haja margem de erro de três pontos percentuais — e Flávio Bolsonaro (PL), com 9%.

 

— Não é um candidato que sobe. É um país que cansou de gritar e encontrou alguém disposto a escutar. Obrigado, Brasil! — disse Cury, em reação ao resultado da pesquisa.

 

Mas o candidato do Avante ainda tem dois desafios enormes: tornar-se conhecido e consolidar um eleitorado em que quase metade admite mudar de voto. Entre os independentes, 65% dizem não conhecer Augusto Cury; 18% conhecem e poderiam votar nele; e 17% conhecem, mas não votariam nele.

 

Segundo Felipe Nunes, CEO da Quaest, os independentes são eleitores sem uma identificação ideológica forte. Na classificação da pesquisa, eles formam um dos cinco grupos políticos, ao lado de lulistas, esquerda não lulista, direita não bolsonarista e bolsonaristas.

 

Em um eventual segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Cury aparece com 34% das intenções de voto, ante 40% do petista.

 

CRESCIMENTO DE CURY É ESPALHADO EM DIFERENTES RECORTES


O desempenho de Augusto Cury no conjunto geral aparece espalhado pelo país e por diferentes grupos do eleitorado, sem uma concentração clara por região, sexo, renda, religião ou raça. É nos recortes de idade e escolaridade que seu eleitor ganha contornos mais definidos: Cury se sai melhor entre os mais jovens e os mais escolarizados.

 

A faixa etária em que ele aparce com maior número de intenções de votos é a de 16 a 34 anos, onde ele já conquistou 14% de apoio. Esse grupo é justamente o que se encontra mais presente nas redes sociais, onde o candidato vem ampliando sua popularidade. Na faixa de 35 a 59 anos, o número também é considerável: 11%. Já entre aqueles com 60 anos ou mais, 4% pretendem votar em Cury.

 

No recorte de escolaridade, o escritor possui 15% das intenções de voto tanto no grupo daqueles que possuem ensino superior completo quanto entre os que completaram o ensino médio, mas o seu percentual cai entre os que possuem apenas ensino fundamental.

 

O aumento de Cury foi espalhado entre as diferentes regiões do país, com 12% no Nordeste, 10% no Sudeste, 9% no Sul e 7% no Centro-Oeste/Norte.

 

Olhando o recorte de gênero, o candidato do Avante também teve bom desempenho tanto entre homens (12%) quanto entre mulheres (9%). Esses grupos possuem margem de erro de três pontos percentuais.

 

A Quaest ouviu 2.004 eleitores entre os dias 30 de agosto e 1º de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O número de registro da pesquisa na Justiça Eleitoral é BR-07065/2026.

 

BOOM NA POPULARIDADE DIGITAL


O avanço nas pesquisas ocorre após o candidato do Avante registrar um crescimento expressivo também no ambiente online. Segundo o Índice de Popularidade Digital (IPD), da Quaest, Cury saltou de 32,9 pontos na semana encerrada em 16 de agosto para 54,5 na semana até o último domingo (30), uma alta de quase dois terços. No período, passou da sétima para a quarta colocação no ranking.

 

O escritor também ganhou quase 2,5 milhões de seguidores no Instagram em cerca de uma semana. Publicações recentes alcançaram dezenas de milhões de visualizações: um corte de sua participação no debate da Band, por exemplo, superou 21 milhões de visualizações e 1,3 milhão de curtidas.

 

A onda ganhou força também fora dos perfis oficiais do candidato. Influenciadores e personalidades como Pablo Marçal, Caio Coppolla, Yuri Meirelles e Raphael Soares publicaram conteúdos favoráveis a Cury, alguns deles com mais de 15 milhões de visualizações.

 

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A rápida expansão se tornou motivo de alerta para campanhas adversárias e despertou críticas de Renan Santos (Missão) e seus aliados. Já a equipe de Flávio Bolsonaro (PL) passou a reunir dados sobre a motivação desse crescimento e a levantar informações sobre a trajetória e as relações políticas do candidato do Avante. 

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