Dados da Polícia Federal obtidos pelo GLOBO por meio da Lei de Acesso à Informação mostram que nos cinco primeiros meses de 2026 , os registros de apreensão já representam mais do que o dobro de 2025
A apreensão de canetas emagrecedoras no Brasil vem crescendo de forma explosiva e já preocupa autoridades de saúde e fiscalização, principalmente nas regiões de fronteira com o Paraguai.
Dados da Polícia Federal e da Receita Federal mostram que só em 2026 o número de unidades apreendidas já ultrapassa 100 mil, um aumento superior a 1.300% em relação ao ano anterior. O principal ponto de entrada desse tipo de produto ilegal é a região de Foz do Iguaçu, no Paraná, considerada rota estratégica do contrabando.
Em uma das ocorrências mais recentes, um casal foi flagrado transportando milhares de canetas e ampolas escondidas dentro de portas de um carro. No total, mais de 3 mil unidades foram encontradas em uma única abordagem na BR-277.
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As investigações apontam que os medicamentos, como a tirzepatida e até substâncias experimentais sem registro no mundo, estão sendo vendidos ilegalmente no Paraguai por preços muito mais baixos e depois trazidos ao Brasil sem autorização da Anvisa. Em farmácias paraguaias, o custo pode ser até dez vezes menor do que o praticado no mercado brasileiro.
O problema chama atenção não só pelo crime de contrabando, mas também pelo risco à saúde. Segundo a Receita Federal, não há garantia sobre origem, armazenamento ou composição desses produtos, que muitas vezes precisam de refrigeração controlada para manter a eficácia.
Autoridades afirmam que o esquema deixou de ser algo pontual e passou a integrar uma nova rota de contrabando no país, antes dominada por cigarros e eletrônicos, mas agora cada vez mais focada em medicamentos para emagrecimento.
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A fiscalização segue intensificada na fronteira, e os órgãos de controle alertam que o transporte, venda ou compra desses produtos pode configurar crime e também representar perigo direto aos consumidores.