A espera pela nomeação dos aprovados nos concursos da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) voltou a colocar o Governo do Amazonas no centro das cobranças nesta quarta-feira (9). Durante uma solenidade realizada na sede das instituições, em Manaus, os concursados realizaram um protesto pacífico e aproveitaram a presença do governador Roberto Cidade para cobrar uma resposta concreta sobre as convocações.
Com cartazes nas mãos, integrantes das comissões de aprovados cobraram que o governo deixe de lado as promessas e avance efetivamente com as nomeações. Durante o evento, Roberto Cidade afirmou que pretende iniciar a convocação dos aprovados ainda este ano.
A declaração foi recebida com alívio pelos candidatos, mas também mantém a pressão sobre o governo, já que a categoria aguarda a transformação da promessa em atos oficiais de nomeação.
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“Foi uma manifestação pacífica, um direito constitucional que a gente tem, então não teve nenhuma irregularidade. A gente foi visto pelo governador e, de certa forma, cumprimentado. Ele fez a promessa das convocações, então a avaliação é positiva”, afirmou Iris Leite, aprovada no concurso da Sema.
CONCURSADOS CONTESTAM JUSTIFICATIVA ELEITORAL
Um dos principais pontos questionados pelos aprovados é a alegação de possíveis restrições eleitorais para a realização das nomeações.
Durante a solenidade, Roberto Cidade afirmou que o governo precisa analisar as vedações previstas na legislação eleitoral para evitar qualquer irregularidade antes de iniciar as convocações.
“Nós homologamos esse concurso público e agora a gente tem que ver as vedações eleitorais para não cometermos nenhuma irregularidade. Mas em breve eu faço questão de estar [presente], e este ano ainda nós vamos estar iniciando a convocação dos aprovados do concurso da SEMA e do IPAAM”, declarou o governador.
Os candidatos, entretanto, contestam esse argumento. Segundo a comissão, os concursos foram homologados em junho de 2026, antes do período de vedação eleitoral citado pelo governo.
Para os aprovados, a discussão deixa de ser apenas jurídica e passa a envolver também uma decisão administrativa e política do Executivo estadual. A categoria cobra que o governo apresente, de forma transparente, quais são os impedimentos concretos para as nomeações e qual será o cronograma de convocação.
ENQUANTO CONCURSADOS ESPERAM, TEMPORÁRIOS CONTINUAM SENDO QUESTIONADOS
A demora também alimenta outra crítica dos aprovados: a manutenção e renovação de contratos temporários enquanto candidatos aprovados em concurso público aguardam convocação.
Iris Leite questionou a justificativa de falta de orçamento apresentada pelo governo e afirmou que a situação gera indignação entre os concursados.
“Enquanto dizem que não têm orçamento, fazem renovações de contrato e pagam vários temporários, e a gente sabe que existe o escândalo dos cabides políticos”, afirmou.
A declaração é uma crítica da candidata à política de contratação do Estado e não representa, necessariamente, uma comprovação de irregularidades em contratos específicos.
FALTA DE SERVIDORES PREOCUPA ÁREA AMBIENTAL
Para os aprovados, o problema vai muito além da expectativa de conquistar um cargo público. Eles afirmam que a demora na recomposição do quadro efetivo pode prejudicar o funcionamento das instituições responsáveis pela proteção ambiental no Amazonas.
Kleiton Morais, aprovado no concurso do Ipaam, destacou que áreas como monitoramento climático, planejamento ambiental e formulação de políticas públicas dependem de equipes técnicas suficientes para funcionar adequadamente.
“Cada dia sem as nomeações é um dia em que o meio ambiente do Estado sofre as consequências e o poder público deixa de agir em prol da população”, afirmou.
A cobrança ganha ainda mais peso diante dos desafios enfrentados pelo Amazonas relacionados às mudanças climáticas, queimadas, desmatamento, fiscalização ambiental e vulnerabilidade das populações que vivem no interior do Estado.
PROMESSA AGORA PRECISA VIRAR NOMEAÇÃO
A manifestação terminou com uma promessa pública do governador: começar ainda em 2026 a convocação dos aprovados da Sema e do Ipaam.
Agora, a pressão dos concursados deve continuar para que a declaração seja transformada em medidas concretas.
A categoria defende que o fortalecimento dos órgãos ambientais passe pela valorização e ampliação do quadro efetivo, com servidores selecionados por critérios técnicos e preparados para atuar diante dos desafios ambientais do Amazonas.
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Para os aprovados, não basta o discurso de compromisso com a agenda climática. É preciso garantir estrutura, orçamento e pessoal para que as políticas ambientais saiam do papel.
A cobrança está feita. Resta ao Governo do Amazonas cumprir a promessa e mostrar, na prática, quando e quantos aprovados serão convocados.