Arqueólogos encontraram uma cidade bizantina quase intacta e um complexo funerário com moedas de ouro e sarcófago
O governo do Egito anunciou neste sábado (4) duas importantes descobertas arqueológicas: uma cidade residencial da era bizantina excepcionalmente preservada no Oásis de Dakhla e um conjunto de 18 tumbas antigas no sítio arqueológico de Marina el-Alamein, próximo à Alexandria.
Segundo o Ministério do Turismo e Antiguidades, a cidade do século IV revela detalhes sobre a organização urbana e a vida cotidiana durante o período em que o Egito fazia parte do Império Bizantino. As escavações identificaram bairros organizados em ruas, praças, uma basílica construída em meados do século IV, torres de vigilância e uma estrutura fortificada protegida por muralhas.
Entre os edifícios encontrados está a chamada Casa de Tisous, identificada como a residência de um diácono e que, segundo os pesquisadores, pode ter funcionado como uma igreja doméstica antes da construção da basílica. Também foram descobertos fornos de pão, cozinhas, ferramentas de moagem, além de moedas de bronze com retratos de imperadores bizantinos e moedas de ouro do período do imperador romano Constâncio II.
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Outro destaque foi a localização de cerca de 200 óstracos — fragmentos de cerâmica utilizados como suporte para escrita na Antiguidade. As inscrições registram transações comerciais, correspondências e outros aspectos da rotina da população. O Oásis de Dakhla integra a Lista Indicativa da Unesco para futuro reconhecimento como Patrimônio Mundial.
Na segunda descoberta, em Marina el-Alamein, os arqueólogos encontraram 18 tumbas, sendo 11 escavadas na rocha e sete construídas com blocos de calcário. Com isso, o número de sepultamentos identificados no sítio arqueológico chega a 48.
As escavações também revelaram vasos de cerâmica, ânforas, lâmpadas, altares, um sarcófago de granito com cerca de 2,5 metros de comprimento contendo restos mortais e fragmentos de uma estátua de esfinge em gesso.
Um dos achados que mais chamou a atenção foi a presença de quatro moedas de ouro colocadas na boca de alguns dos mortos, prática funerária conhecida como "língua de ouro", relacionada às crenças religiosas da época.
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As descobertas ocorrem em meio à recuperação do turismo egípcio. Dados oficiais apontam que o país recebeu 19 milhões de visitantes em 2025, um recorde histórico, e registrou 6,1 milhões de turistas apenas nos quatro primeiros meses de 2026.