“Tatá Wasú” mistura referências indígenas, boi-bumbá, funk, indie pop e música eletrônica em uma obra sobre ancestralidade, pertencimento e fortalecimento coletivo.
O cantor, compositor e produtor artístico indígena Baré Eric Max lançou o single “Tatá Wasú”, uma produção que transforma a simbologia do “Fogo Grande” em uma mensagem de vida, ancestralidade, pertencimento e união. Disponível nas plataformas digitais desde 28 de agosto, a música é o quarto single da carreira do artista e representa uma nova fase do conceito que ele denomina “Ixé Pop Amazônico”.
A proposta musical criada por Eric busca aproximar a identidade indígena e a relação com o território amazônico de elementos presentes no pop contemporâneo. Antes de “Tatá Wasú”, o artista lançou as músicas “Rio Negro”, “Mucura” e “Encanta Não”.
Na nova faixa, o fogo aparece como representação da chama do espírito e da força vital. A composição estabelece uma conexão direta com a identidade do povo Baré e com o território do Rio Negro, incorporando ainda influências do boi-bumbá, funk, indie pop e música eletrônica.
Veja também

‘Rock of Ages’ leva clássicos dos anos 1980 ao Teatro Amazonas nesta sexta-feira
Um dos principais elementos da música está no refrão “Yandé Reté Tatá Wasú”, expressão que, segundo Eric, representa a ideia de que “nosso corpo é um Fogo Grande”. A partir desse conceito, o artista apresenta os povos indígenas como guardiões de uma chama relacionada à preservação da floresta, dos territórios e da memória amazônica.
A mensagem, porém, busca alcançar um público mais amplo. A música propõe uma reflexão sobre a necessidade de manter viva a força interior e reforça a importância da união, do cuidado e da valorização da vida.
A criação de “Tatá Wasú” também foi marcada pela morte por suicídio da parente Baré Shirley Araújo Thomas, conhecida como Rio-Negrina, em dezembro de 2025. A perda levou Eric a refletir sobre os casos de suicídio registrados entre povos indígenas, especialmente entre os mais jovens.
Lançada em um período marcado no Brasil por campanhas de prevenção ao suicídio, a música ganhou, para o artista, um significado ainda mais profundo. A intenção é transformar a dor em uma mensagem de fortalecimento e cuidado coletivo.
“Tatá Wasú é uma música de vida. Quando eu canto ‘Yandé Reté Tatá Wasú’, estou dizendo que nosso corpo é um Fogo Grande, que existe uma chama dentro de nós que precisa continuar acesa”, afirma Eric.
Segundo o artista, essa chama também representa a resistência dos povos indígenas e a continuidade de suas tradições.
“A perda da nossa parente Shirley Baré atravessou profundamente esse trabalho e me fez pensar em quantos dos nossos, especialmente jovens, estão deixando essa chama se apagar. Tatá Wasú nasce como um chamado: levanta, reacende teu espírito, olha para quem está ao teu lado e ajuda a manter esse fogo vivo”, acrescenta.
Eric define sua produção musical como uma forma de transmitir mensagens de fortalecimento por meio da arte. “Minha música existe para curar. É entretenimento, mas também é mensagem de cura, reza forte para dançar e despertar o espírito para o positivo”, destaca.
SONORIDADE MISTURA AMAZÔNIA E POP
Na parte musical, “Tatá Wasú” combina elementos tradicionais da cultura amazônica com referências da música contemporânea. Tambores, bumbos e a batucada associada ao boi-bumbá se encontram com a cadência do funk, características do indie pop e bases eletrônicas.
A faixa também foi construída para crescer gradualmente em intensidade. O refrão funciona como uma espécie de mantra, enquanto a interpretação vocal procura criar uma sensação de experiência coletiva.
A proposta faz parte do conceito “Ixé Pop Amazônico”, também apresentado pelo artista como “Ixé Pop Indie Amazônico”. Para Eric, o termo “Ixé”, relacionado à ideia de “eu”, representa a ligação entre identidade, corpo e território.
Em “Tatá Wasú”, essa linguagem ganha uma dimensão de celebração e manifesto, reunindo elementos de ancestralidade, espiritualidade, cura e festa em uma produção voltada ao público contemporâneo.
PRODUÇÃO E VIDEOCLIPE
A produção musical do single é assinada por Eric Max Sales Guimarães Gonnet e Toni Arcelinni. Eric atua como cantor, compositor e produtor artístico indígena Baré, além de ser o criador do conceito Ixé Pop Amazônico.
Toni Arcelinni trabalha com estilos como pop, electropop, R&B e EDM. A parceria busca unir as referências amazônicas trazidas por Eric a uma sonoridade pop e eletrônica.
Além da música, “Tatá Wasú” ganhou um videoclipe dirigido por Ju Damasio, da Produtora do Fim do Mundo. O trabalho foi gravado no Rio de Janeiro e marca a estreia da diretora na produção de um videoclipe musical.
O futebol é utilizado como elemento central da narrativa, apresentado como espaço de encontro, resistência e celebração. O elenco reúne indígenas e afro-brasileiros, com participação da Seleção Indígena de Futebol do Brasil e das Américas (SIFBA).
A produção também aborda pertencimento, união e enfrentamento ao preconceito, destacando a presença dos povos originários nos campos de futebol.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
O videoclipe recebeu apoio do Grupo Arco-Íris e conta com a participação de Cláudio Nascimento, fundador da organização. Em uma das cenas, ele entrega a Eric Max a camisa número 24, gesto apresentado como símbolo de passagem e resistência e que aproxima as lutas dos povos indígenas, da população negra e da comunidade LGBTQIAPN+.