as 2-24 b tem menos de 1 milhão de anos, massa semelhante à de Júpiter e ainda estava cercado por gás e poeira no sistema onde se formou
Pesquisadores identificaram o que pode ser o exoplaneta mais jovem já conhecido pela astronomia. Batizado de Elias 2-24 b, o corpo celeste tem idade estimada em menos de 1 milhão de anos e está localizado a cerca de 450 anos-luz da Terra.
A descoberta foi feita a partir da análise de dados de arquivo obtidos pelo Observatório W. M. Keck, nos Estados Unidos. O estudo foi liderado pela cientista Andrea Bernardi, da Universidade Diego Portales, no Chile, e publicado nesta quarta-feira (16) no periódico The Astrophysical Journal Letters.
Em termos astronômicos, Elias 2-24 b é praticamente um recém-nascido. O planeta é tão jovem que ainda estava imerso no disco de gás e poeira que envolve a estrela Elias 2-24, região considerada fundamental para o processo de formação de novos planetas.
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O recorde anterior de juventude entre exoplanetas conhecidos pertencia a quatro corpos com mais de 5 milhões de anos. Apesar da pouca idade, Elias 2-24 b já apresenta uma massa semelhante à de Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar.
COMO O PLANETA FOI IDENTIFICADO
A equipe concentrou a investigação na estrela Elias 2-24, que possui ao redor um grande disco de gás e poeira. Os pesquisadores suspeitavam que algum corpo ainda não identificado pudesse estar orbitando a estrela.
Para procurar possíveis planetas, os cientistas utilizaram um coronógrafo instalado no Observatório Keck. O equipamento bloqueia parte da luz direta emitida pela estrela e permite observar objetos mais fracos que estejam próximos dela.
Ao todo, sete sistemas foram analisados durante a investigação. Em um deles, os pesquisadores conseguiram identificar sinais compatíveis com a presença de Elias 2-24 b.
A descoberta é considerada importante porque planetas nessa fase inicial de desenvolvimento são extremamente difíceis de observar. Segundo os pesquisadores, acompanhar objetos tão jovens pode ajudar a esclarecer como os planetas surgem e evoluem nos primeiros estágios de sua formação.
“A galáxia produz novas estrelas e planetas continuamente, então há corpos em todos os estágios de evolução. Isso significa que, em teoria, podemos observar todo o processo, mas existe uma grande limitação no que a maioria dos telescópios consegue detectar. Atualmente, somos praticamente cegos para esses planetas recém-nascidos”, explicou o coautor do estudo, Lucas Cieza, em comunicado.
A expectativa dos astrônomos é que novos instrumentos permitam encontrar outros planetas em fases igualmente iniciais. Entre eles está o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da Nasa, que deverá contar com recursos avançados para observar diretamente sistemas planetários e investigar objetos próximos a estrelas.
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A identificação de Elias 2-24 b pode, assim, abrir uma nova janela para o estudo das primeiras etapas da formação planetária e ajudar os cientistas a compreender como mundos semelhantes a Júpiter surgem ao redor de outras estrelas.