Comissão de investigação apresentou denúncia nesta quinta-feira
Uma comissão de investigação da Organização das Nações Unidas (ONU) denunciou nesta quinta-feira (13) que os ataques sistemáticos de Israel à saúde sexual e reprodutiva das pessoas na Faixa de Gaza são considerados atos de genocídio.
"A comissão concluiu que as autoridades israelenses destruíram parcialmente a capacidade dos palestinos em Gaza – enquanto grupo – de terem filhos, através da destruição sistemática dos cuidados de saúde sexual e reprodutiva", afirmou a comissão da ONU, em Genebra.
A embaixada israelense e Genebra respondeu à denúncia da ONU, em nota: "[Israel] rejeita categoricamente estas alegações infundadas".
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VIOLAÇÕES
Segundo as Nações Unidas, o genocídio é um crime "cometido com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso", podendo considerar-se cinco tipos de atos como práticas de genocídio.
Para a comissão, duas destas práticas estão acontecendo em Gaza: "medidas destinadas a impedir nascimentos" e a "imposição intencional" de um grupo de pessoas a condições de vida "calculadas para provocar a sua destruição física".
"O ataque a instalações de saúde reprodutiva, incluindo ataques diretos a maternidades e à principal clínica de fertilização in vitro de Gaza, combinado com o uso da fome como método de guerra, teve impacto em todos os aspectos da reprodução", disse a presidente do comitê, Navi Pillay.
Estas violações causaram "sofrimento físico e mental imediato a mulheres e garotas", mas também têm "efeitos irreversíveis a longo prazo na saúde mental e na capacidade dos palestinos, enquanto grupo, de terem filhos", acrescentou a sul-africana, que já ocupou os cargos de presidente e juíza do Tribunal Penal Internacional para Ruanda. Para Israel, a comissão de inquérito "está explorando a violência sexual para promover sua agenda política predeterminada e tendenciosa".
"[A comissão] se contenta, deliberadamente, com um menor grau de corroboração em seu relatório [do que em outros casos], o que lhe permite incluir informações de fontes de segunda mão, únicas e não corroboradas", acusou a embaixada israelense."Esta prática é incompatível com as normas e metodologias de verificação estabelecidas pela ONU", segundo os israelitas.
Neste novo relatório, a comissão aponta para a destruição pelas forças de segurança israelitas da maior clínica de fertilização in vitro, a Al-Basma, que armazenava milhares de embriões.
Esta destruição "visou impedir o nascimento de palestinos em Gaza" e constitui "um ato genocida", segundo a comissão, criada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU em 2021.A investigação da ONU conclui ainda que este ataque "teve como objetivo destruir os palestinos de Gaza como um grupo".
AJUDA HUMANITÁRIA
O comitê também está examinando as consequências do bloqueio de Israel à ajuda humanitária no contexto da guerra em Gaza, que começou após o ataque sem precedentes do movimento islamista palestino Hamas, em 7 de outubro de 2023, ao território israelita.
As forças de segurança israelenses "impuseram deliberadamente condições de vida com o objetivo de provocar a destruição física dos palestinos em Gaza", segundo a comissão, que também considera que se trata de um ato de genocídio.
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"Mulheres e moças morreram de complicações relacionadas com a gravidez e o parto devido às condições impostas pelas autoridades israelenses, que lhes negaram o acesso a cuidados de saúde reprodutiva – atos que equivalem ao crime contra a humanidade de extermínio", observou ainda a comissão, que já acusou Israel de crimes contra a humanidade e o Hamas de crimes de guerra.
Fonte:Agência Brasil