NOTÍCIAS
Internacional
Ataques em avaliação por Trump contra Venezuela incluem unidade de proteção de Maduro e controle de campos de petróleo, diz jornal
Foto: Reprodução

Autoridades afirmaram que Trump reluta em aprovar operações que possam colocar tropas americanas em risco, mas muitos de seus principais assessores estão pressionando por uma das opções mais agressivas

Segundo diversas autoridades americanas, o governo de Donald Trump desenvolveu uma série de opções para ações militares na Venezuela, incluindo ataques diretos a unidades militares que protegem o presidente Nicolás Maduro e medidas para assumir o controle dos campos de petróleo do país.

 

Segundo fontes do New York Times, Trump ainda não decidiu como, ou mesmo se, deve prosseguir. Autoridades afirmaram que ele reluta em aprovar operações que possam colocar tropas americanas em risco ou que possam se transformar em um fracasso vergonhoso. Mas muitos de seus principais assessores estão pressionando por uma das opções mais agressivas: a destituição de Maduro do poder.

 

Assessores de Trump solicitaram ao Departamento de Justiça orientações adicionais que possam fornecer uma base legal para qualquer ação militar além da atual campanha de ataques a embarcações que, segundo o governo, traficam narcóticos, sem apresentar provas. Essas orientações poderiam incluir uma justificativa legal para atacar Maduro sem a necessidade de autorização do Congresso para o uso da força militar, muito menos uma declaração de guerra.

 

Veja também

 

Seis pessoas morrem após ingerir massa instantânea com bactéria

 

Morre Dick Cheney, ex-vice-presidente dos EUA, aos 84 anos

 

Embora as diretrizes ainda estejam sendo elaboradas, alguns funcionários do governo esperam que elas argumentem que Maduro e seus principais assessores de segurança são figuras centrais do Cartel de los Soles, que o governo designou como um grupo narcoterrorista. Espera-se que o Departamento de Justiça argumente que essa designação torna Maduro um alvo legítimo, apesar das antigas proibições legais americanas ao assassinato de líderes nacionais.

 

O Departamento de Justiça se recusou a comentar. Mas a tentativa de justificar o ataque contra Maduro constituiria mais um esforço do governo para ampliar seus poderes legais. O governo já realizou assassinatos seletivos de suspeitos de tráfico de drogas que, até setembro, eram perseguidos e presos no mar, em vez de mortos em ataques com drones.

 

Qualquer tentativa de destituir Maduro colocaria o governo sob ainda mais escrutínio quanto à justificativa legal que apresentar, dada a nebulosa mistura de razões que apresentou até agora para confrontar Maduro. Entre elas estão o tráfico de drogas, a necessidade de acesso americano ao petróleo e as alegações de Trump de que o governo venezuelano libertou prisioneiros nos Estados Unidos.

 

Trump emitiu uma série de mensagens públicas contraditórias sobre suas intenções, os objetivos e a justificativa para qualquer futura ação militar. Nas últimas semanas, ele afirmou que os ataques a lanchas rápidas no Mar do Caribe e no Pacífico Oriental, que mataram pelo menos 65 pessoas, seriam expandidos para ataques terrestres. Mas isso ainda não aconteceu. Perguntado pela CBS News se os Estados Unidos estão caminhando para uma guerra com a Venezuela, Trump disse no domingo:

 

 

— Duvido. Não acho que seja o caso, mas eles têm nos tratado muito mal, não apenas em relação às drogas. bEle repetiu sua alegação sem provas de que Maduro abriu suas prisões e hospitais psiquiátricos e enviou membros da gangue Tren de Aragua para os Estados Unidos, uma acusação que Trump faz desde sua campanha para a Presidência no ano passado. Perguntado se os dias de Maduro como presidente da Venezuela estavam contados, ele acrescentou:

 

— Acho que sim, com certeza. O apoio às opções mais agressivas vem do secretário de Estado Marco Rubio, que também atua como conselheiro de segurança nacional interino, e de Stephen Miller, chefe de Gabinete adjunto e conselheiro de segurança interna de Trump. Segundo diversas autoridades americanas, eles afirmaram em privado que acreditam que Maduro deveria ser forçado a deixar o cargo.

 

Trump expressou repetidamente reservas, segundo seus assessores, em parte devido ao receio de que a operação possa fracassar. Trump não tem pressa em tomar uma decisão e tem perguntado repetidamente sobre o que os Estados Unidos poderiam obter em troca, com foco específico na extração de parte do valor do petróleo venezuelano para o país.

 

O republicano provavelmente não será forçado a tomar uma decisão pelo menos até que o Gerald R. Ford, o maior e mais novo porta-aviões dos Estados Unidos, chegue ao Caribe em meados deste mês. O Ford transporta cerca de 5 mil marinheiros e possui mais de 75 aeronaves de ataque, vigilância e apoio, incluindo caças F/A-18.

 

Desde o final de agosto, tem havido um aumento constante de tropas americanas na região. Mesmo antes da chegada do porta-aviões, já havia cerca de 10mil militares americanos no Caribe, aproximadamente metade em navios de guerra e metade em bases em Porto Rico.

 

O Pentágono também enviou, nas últimas semanas, bombardeiros B-52 e B-1 de bases na Louisiana e no Texas para realizar missões na costa da Venezuela, em uma demonstração de força, segundo autoridades militares. Os B-52 podem transportar dezenas de bombas guiadas de precisão, e os B-1 podem transportar até 34 toneladas de munições guiadas e não guiadas, a maior carga útil não nuclear de qualquer aeronave no arsenal da Força Aérea.

 

E o 160º Regimento de Aviação de Operações Especiais do Exército, de elite, que conduziu extensas operações antiterroristas com helicópteros no Afeganistão, Iraque e Síria, realizou recentemente o que o Pentágono classificou como exercícios de treinamento na costa da Venezuela.

 

O aumento da presença militar tem sido tão rápido e tão público que parece fazer parte de uma campanha de pressão psicológica sobre Maduro. De fato, Trump falou abertamente sobre sua decisão de emitir uma "autorização" que permite à CIA conduzir operações secretas dentro da Venezuela — o tipo de operação que os presidentes quase nunca discutem com antecedência.

 

Caso Trump opte por ordenar a ação dentro da Venezuela, isso representaria um risco militar, jurídico e político considerável. Apesar de todos os riscos que Trump assumiu ao autorizar o bombardeio americano de três instalações nucleares no Irã em junho, isso não envolveu uma tentativa de derrubar ou substituir o governo iraniano.

 

Se Trump seguir esse caminho, não há garantia de que ele terá sucesso ou de que poderá assegurar o surgimento de um novo governo mais favorável aos Estados Unidos. Assessores afirmam que o planejamento para atacar o governo Maduro foi muito mais extenso do que o planejamento necessário para governar a Venezuela caso a operação seja bem-sucedida.

 

Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no FacebookTwitter e no Instagram.

Entre no nosso Grupo de WhatAppCanal e Telegram 

 

E alguns dos apoiadores políticos mais leais de Trump têm alertado contra ataques contra Maduro, lembrando ao presidente que ele foi eleito para acabar com as “guerras intermináveis”, não para incitar novas.  

 

Fonte: O Globo

LEIA MAIS
DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Email:

Mensagem:

Copyright © 2013 - 2025. Portal do Zacarias - Todos os direitos reservados.