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Ataques russos matam criança ucraniana horas após Zelensky renovar oferta de encontro com Putin
Foto: Reprodução

Nova rodada de negociações com delegação de menor escalão ocorrerá na quarta-feira em Istambul; sem expectativas de avanços concretos, encontro focará em troca de prisioneiros

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, renovou na noite de segunda-feira sua oferta de se reunir com o líder russo, Vladimir Putin, para negociar o fim da guerra na Ucrânia. A declaração, feita horas antes de uma nova escalada de ataques russos contra três cidades ucranianas deixar pelo menos uma criança morta, foi emitida enquanto delegações de ambos os governos se preparam para uma terceira rodada de negociações mediadas pela Turquia em Istambul na quarta-feira.

 

Putin já rejeitou ofertas anteriores de Zelensky para um encontro cara a cara com o objetivo de encerrar o maior conflito da Europa desde a Segunda Guerra Mundial. E, nesta terça-feira, o Kremlin afirmou não esperar “avanços milagrosos” nas tratativas previstas para ocorrer nesta semana, minimizando as expectativas em torno do encontro. Citado pela agência Reuters, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou:

 

— Não há razão para esperar qualquer avanço na categoria de milagres, isso é praticamente impossível na situação atual. Pretendemos defender e garantir nossos interesses, [além de] cumprir as tarefas que estabelecemos para nós desde o início. Há muito trabalho a ser feito antes que possamos falar sobre a possibilidade de encontros de alto nível.

 

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Ainda assim, o presidente ucraniano insiste que delegações de menor escalão, como as esperadas para a reunião em Istambul na quarta, não têm peso político suficiente para pôr fim aos combates, especialmente quando as exigências de cada lado sobre o fim da guerra, iniciada em 24 de fevereiro de 2022, ainda estão distantes. No Telegram, Zelensky disse que a Rússia “deve acabar com a guerra que ela própria começou”.

 

Moscou deseja que Kiev ceda quatro regiões que já controla (Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporizhzhia), além da península da Crimeia, anexada em 2014, e renuncie ao projeto de adesão à Otan. Já a Ucrânia exige a retirada russa dos territórios ocupados e garantias de segurança do Ocidente, como a continuidade no fornecimento de armas e o envio de um contingente europeu após um cessar-fogo, o que a Rússia rejeita.

 

Para a reunião de quarta-feira, é esperado que as partes discutam, entre outros assuntos, os preparativos para uma nova troca de prisioneiros e o retorno de crianças que teriam sido sequestradas por Moscou, disse Zelensky. As duas rodadas anteriores, que ocorreram também na cidade turca em maio e junho, falharam em avançar rumo a um cessar-fogo, limitando-se a negociações pela troca de prisioneiros de guerra.

 

A delegação ucraniana será chefiada pelo ex-ministro da Defesa Rustem Umerov, atual secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional da Ucrânia. O grupo também contará com representantes da Inteligência ucraniana, do Ministério das Relações Exteriores e do gabinete da Presidência, informou Zelensky. Do lado russo, ainda não está claro quem se juntará à mesa de negociações.

 

As conversas entre as partes foram retomadas dias após o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçar impor “sanções severas” à Rússia caso não haja um cessar-fogo no prazo de 50 dias. Diante da intensificação dos ataques russos, Washington também prometeu novas armas para as forças ucranianas. À BBC, Trump afirmou estar “decepcionado” com Putin, mas que “não havia desistido” do presidente russo.

 

SEM TRÉGUA

 

Enquanto isso, a guerra segue sem trégua: na véspera do encontro, forças russas atacaram quatro cidades ucranianas em três regiões distintas, matando uma criança e ferindo pelo menos outras 24 pessoas, segundo autoridades locais. A Ucrânia disse ter repelido mais de 50 ataques na região de Pokrovsk, no leste do país, onde a Rússia concentrou grande parte de seu poder de fogo nos últimos meses, publicou a BBC.

 

Em Kramatorsk, uma bomba planadora atingiu um edifício residencial e provocou um incêndio, segundo o chefe da administração militar da cidade, Oleksandr Honcharenko. A região de Sumy foi alvo de múltiplas ondas de ataques, e um drone atingiu um posto de gasolina na cidade de Putyvl, ferindo quatro pessoas, incluindo uma criança. Horas depois, um segundo drone atingiu o mesmo local, deixando outros sete feridos.

 

Ainda durante a madrugada, duas bombas planadoras russas de alta potência foram lançadas contra a cidade de Sumy, ferindo 13 pessoas, incluindo um menino de 6 anos. De acordo com autoridades regionais, cinco prédios residenciais, duas casas particulares e um shopping foram danificados. As explosões estilhaçaram janelas e destruíram varandas de edifícios residenciais, relatou o prefeito interino Artem Kobzar.

 

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Enquanto isso, o Ministério da Defesa da Rússia afirmou nesta terça-feira que suas defesas aéreas derrubaram 35 drones ucranianos de longo alcance durante a madrugada, em várias regiões do país, incluindo três sobre a região de Moscou.  

 

Fonte: O Globo

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