*Por Antônio Zacarias - O governador-tampão Roberto Cidade, o Cocô de Ouro, resolveu retirar R$ 100 milhões do fundo mantenedor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) para cobrir o rombo da previdência estadual.
Não se trata apenas de uma decisão administrativa. Trata-se de um ataque frontal a uma das instituições mais importantes do Amazonas. Um golpe contra a educação, a pesquisa, a ciência e o futuro de milhares de jovens amazonenses.
A UEA possui entre 20 mil e 24 mil alunos matriculados em cursos de graduação e pós-graduação. São cinco unidades acadêmicas em Manaus e mais de 20 Centros de Estudos e Núcleos de Ensino espalhados pelo interior do estado.
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É a maior universidade multicampi do Brasil. Todos os anos, aproximadamente 3.800 novos estudantes ingressam na instituição. Em pouco mais de duas décadas de existência, a universidade já formou mais de 85 mil profissionais que hoje contribuem para o desenvolvimento econômico e social do Amazonas.
A UEA não surgiu por acaso. Ela foi construída sobre um modelo de financiamento pensado justamente para garantir sua sobrevivência e autonomia.
Seu fundo mantenedor é alimentado por contribuições das empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus e por recursos do orçamento estadual.
Para usufruírem de incentivos fiscais e benefícios relacionados ao ICMS na Zona Franca de Manaus, as indústrias são obrigadas por lei a contribuir financeiramente com a universidade. Ao mesmo tempo, o Governo do Estado destina parte de sua arrecadação diretamente ao orçamento da instituição.
Foi esse modelo que permitiu à UEA expandir sua presença pelo interior, democratizar o acesso ao ensino superior e transformar a vida de milhares de famílias amazonenses.
Mas então surge o Cocô de Ouro. E surge para fazer o que sabe fazer: meter a mão no dinheiro do povo. Desta vez, a “vítima” foi a UEA, de onde ele retirou R$ 100 milhões do fundo que sustenta a universidade.
É um golpe brutal. Um golpe contra os estudantes de hoje e contra os estudantes de amanhã. Um golpe contra os jovens que sonham com uma vaga no ensino superior. Um golpe contra o desenvolvimento do Amazonas.
Roberto Cidade, o Cocô de Ouro, age assim porque demonstra um profundo desprezo pelo conhecimento, pela educação e pelo pensamento crítico.
Contam pessoas que o conheceram na infância que ele fazia escândalo para não ir à escola. Mesmo vindo de uma família rica, não gostava de estudar. A relação difícil com os livros parece ter atravessado os anos.
A faculdade, segundo relatos de ex-colegas, foi concluída com enorme dificuldade. Era visto como um jovem arrogante, metido a importante e sem qualquer entusiasmo pelos estudos.
Mas o destino, às vezes, prega peças. Depois de se refestelar com carne coberta de ouro 24 quilates, Roberto Cidade acabou transformado em governador-tampão do Amazonas. E bastou pouco mais de um mês no cargo para apresentar sua primeira grande obra.
Não foi um hospital. Não foi uma escola. Não foi uma estrada. Não foi um programa social. Foi retirar R$ 100 milhões da Universidade do Estado do Amazonas.
O gesto fala por si. Revela prioridades. Revela valores. Revela uma visão de governo que enxerga a educação não como investimento, mas como fonte de recursos para tapar buracos administrativos.
O Cocô de Ouro não vai parar. Quem retira R$ 100 milhões da principal universidade pública do estado demonstra até onde está disposto a ir.
Hoje foi a UEA. Amanhã poderá ser qualquer outra instituição que ainda resista em benefício do povo amazonense.
Não deixe o Cocô de Ouro continuar no governo. Não entregue o futuro dos nossos jovens a quem parece enxergar a educação como um obstáculo e não como um caminho para o desenvolvimento do Amazonas.
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* Antônio Zacarias é jornalista e fundador do PORTAL DO ZACARIAS, um dos portais de notícias mais acessados do Brasil e referência no jornalismo digital da Região Norte.
Com longa trajetória na imprensa da Amazônia, foi editor-geral de diversos jornais na Região Norte. No Amazonas, dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram o empresário Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério.
Também atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte durante dois anos, a convite do jornalista Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral do jornal.
Antônio Zacarias é autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra dedicada à valorização do bom uso da língua portuguesa.