Beth Dobbin, velocista britânica de 32 anos que disputou os Jogos de Tóquio, enfrenta limitações severas após desenvolver encefalomielite miálgica, condição que pode provocar exaustão extrema e piora dos sintomas após pequenos esforços
A velocista britânica Beth Dobbin, de 32 anos, viu sua rotina de treinamentos e competições ser substituída por longos períodos de repouso. Representante da Grã-Bretanha nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, a atleta foi diagnosticada com encefalomielite miálgica, também conhecida como síndrome da fadiga crônica, e atualmente passa cerca de 22 horas e meia por dia na cama.
Em entrevista à revista People, Beth descreveu a intensidade dos sintomas e o impacto da doença em sua vida. “Parece que seu corpo está entrando em colapso”, afirmou a velocista, ao relatar as dificuldades enfrentadas desde o desenvolvimento da condição.
Segundo informações divulgadas em uma campanha de arrecadação na plataforma JustGiving, a irmã da atleta, Jennifer, contou que os problemas de saúde começaram em 2022, após Beth ter infecções por Covid-19 e mononucleose. Antes de adoecer, a velocista mantinha uma rotina intensa de preparação física, com cinco dias de treinamento por semana e sessões que podiam chegar a cinco horas.
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Atualmente, atividades cotidianas e momentos de convivência com amigos e familiares se tornaram mais difíceis. A condição limita a autonomia da atleta e exige cuidados para evitar o agravamento dos sintomas.
Um dos principais desafios é o chamado mal-estar pós-esforço, caracterizado pela piora dos sintomas após atividades físicas ou mentais que antes seriam consideradas simples. Em pessoas com a síndrome, os efeitos podem ser desproporcionais ao esforço realizado e durar horas, dias ou até mais tempo.
Beth também enfrenta sensibilidade à luz, aos sons e aos cheiros. Em determinadas situações, essas reações tornam necessário permanecer em ambientes escuros e silenciosos, reduzindo ainda mais as possibilidades de realizar atividades fora de casa.
De acordo com Jennifer, a irmã utiliza 19 medicamentos para controlar os sintomas e condições associadas. A família também busca ampliar a conscientização sobre a doença e incentivar o financiamento de pesquisas.
O QUE É A SÍNDROME DA FADIGA CRÔNICA?
Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), a síndrome da fadiga crônica, também chamada de encefalomielite miálgica, é uma condição caracterizada por fadiga intensa e persistente, que não melhora adequadamente com o repouso e pode comprometer de forma significativa as atividades diárias.
A causa ainda não é totalmente conhecida. No entanto, algumas pessoas desenvolvem a doença após infecções, embora nem todos os casos tenham um desencadeante identificado.
Além do cansaço extremo, a síndrome pode provocar diferentes manifestações, entre elas:
Dificuldades de memória e concentração;
Sono que não proporciona sensação de descanso;
Dores musculares e nas articulações;
Dores de cabeça;
Dor de garganta e aumento doloroso dos gânglios linfáticos;
Tontura e náuseas;
Piora dos sintomas após esforço físico ou mental.
A intensidade varia de uma pessoa para outra. Enquanto alguns pacientes conseguem manter parte de suas atividades com adaptações, outros apresentam limitações graves e precisam de ajuda para tarefas básicas.
DIAGNÓSTICO E CUIDADOS
O diagnóstico é clínico e depende da avaliação dos sintomas, do histórico do paciente e da investigação de outras condições que possam explicar o quadro. Não existe um exame único capaz de confirmar todos os casos, e o acompanhamento médico é importante para orientar os cuidados.
Até o momento, não há um tratamento específico que cure a síndrome. O atendimento busca aliviar manifestações como dores e distúrbios do sono, tratar condições associadas e adaptar a rotina de acordo com os limites de cada paciente.
O gerenciamento de energia é uma das estratégias utilizadas para evitar o agravamento dos sintomas. A abordagem consiste em equilibrar períodos de atividade e descanso, respeitando a capacidade individual, sem insistir em exercícios ou tarefas que provoquem piora.
A evolução da doença é variável, com pacientes que apresentam períodos de melhora e outros que convivem com sintomas persistentes. Por isso, o acompanhamento deve ser individualizado, especialmente nos casos mais graves.
Para contribuir com o avanço dos estudos sobre a encefalomielite miálgica, Jennifer participará da Maratona de Yorkshire, marcada para 18 de outubro. A iniciativa pretende arrecadar recursos para a organização ME Research UK, que apoia pesquisas sobre a condição.
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A mobilização busca ampliar o conhecimento sobre a doença, que pode provocar impactos profundos na qualidade de vida e ainda apresenta desafios relacionados às causas, ao diagnóstico e às opções de tratamento.