Ligações feitas ao 190 e ao 193 passaram a integrar a investigação sobre a morte da soldado Gisele Alves Santana.
Novos áudios obtidos pela imprensa mostram detalhes das ligações feitas pelo tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, aos serviços de emergência logo após a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, ser baleada dentro do apartamento onde o casal morava. O caso ocorreu no dia 18 e está sob investigação.
Na primeira ligação, feita ao telefone 190, o oficial se identifica imediatamente como integrante da corporação e relata que a esposa teria tirado a própria vida com um disparo na cabeça. Durante a chamada, ele informa o endereço do imóvel, localizado na Rua Domingos de Paiva, no bairro do Brás, em São Paulo, e solicita o envio de uma viatura e socorro médico.
No áudio, o coronel mantém um tom considerado calmo e objetivo ao explicar a situação à atendente. Ele confirma dados pessoais e diz que a vítima também era policial militar. Em determinado momento, ao ser questionado se havia verificado a respiração da esposa, ele afirma que a mulher ainda apresentava sinais de vida, apesar de ter dito inicialmente que ela teria cometido suicídio.
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“Ela está muito ruim, deu um tiro na cabeça. Manda o resgate logo”, diz o oficial durante a ligação.
TOM DIFERENTE EM LIGAÇÃO AOS BOMBEIROS
Logo após o contato com a Polícia Militar, o coronel também telefonou para o Corpo de Bombeiros, por meio do número 193. No segundo áudio, o tom de voz é diferente do registrado na ligação anterior.

Foto: Reprodução
Enquanto na chamada ao 190 a fala é mais controlada e protocolar, na conversa com os bombeiros o militar demonstra maior tensão e emoção ao descrever a situação da esposa. O pedido de socorro é feito de forma mais urgente, com pausas e sinais de nervosismo na voz.
Essas gravações passaram a integrar o material analisado pelos investigadores que tentam esclarecer o que ocorreu dentro do apartamento naquela manhã.
INTERVALO ENTRE DISPARO E PEDIDO DE SOCORRO
Outro ponto analisado pelas autoridades é o intervalo de tempo entre o disparo e o acionamento das equipes de emergência.
Segundo registros da ocorrência, a ligação para o 190 foi realizada entre 7h57 e 8h01. Uma vizinha que mora no mesmo andar do casal relatou ter ouvido um forte estrondo por volta das 7h28, após seus cachorros começarem a latir de forma intensa.
Caso os horários sejam confirmados, o intervalo entre o disparo e o pedido de socorro teria sido de aproximadamente 29 minutos.
ATENDIMENTO E MORTE DA POLICIAL
Após o acionamento das equipes de emergência, Gisele Alves Santana foi socorrida em estado gravíssimo. Ela foi transportada pelo helicóptero Águia da Polícia Militar até o Hospital das Clínicas, na Zona Oeste de São Paulo.
Apesar dos esforços médicos, a policial não resistiu aos ferimentos e morreu às 12h04. O atestado de óbito aponta traumatismo cranioencefálico grave causado por disparo de arma de fogo como causa da morte.
PONTOS QUE LEVANTARAM SUSPEITAS
A investigação passou a considerar algumas inconsistências no caso. Entre elas, a versão inicial apresentada pelo coronel de que a esposa teria cometido suicídio, o intervalo de cerca de meia hora até o pedido de socorro e a ausência de cápsula de munição no interior do apartamento.
Também chamou a atenção dos investigadores o fato de a arma encontrada na mão da vítima pertencer ao próprio oficial, além da forma como o armamento foi localizado. Depoimentos colhidos pela Polícia Civil e pela Corregedoria da PM indicam possíveis contradições no relato inicial apresentado pelo militar.
INVESTIGAÇÃO CONTINUA
Diante das dúvidas sobre a dinâmica da morte, a Justiça autorizou a exumação do corpo da policial. A medida busca esclarecer se o disparo é compatível com suicídio ou se há indícios de outra circunstância.
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto solicitou afastamento das funções enquanto as investigações continuam. O caso está sendo apurado pela Polícia Civil e também é acompanhado pela Corregedoria da Polícia Militar.
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