Segundo aliados, governador ficou incomodado com a pressão do secretário para ocupar a vice
O desgaste da relação entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e seu secretário de Governo, Gilberto Kassab (PSD), que já enfrentava problemas desde o ano passado, chegou ao ápice nas últimas semanas. Segundo interlocutores, o clima entre os dois é ruim e o presidente do PSD deve deixar a gestão estadual em pouco tempo.
De acordo com aliados, Tarcísio ficou incomodado com a atuação de Kassab para ampliar o próprio partido, filiando em massa prefeitos e deputados de outras legendas da base do governo e criando problemas de estabilidade e articulação política para o governador.
Tarcísio também estaria insatisfeito com a pressão para escolher o secretário como vice na chapa à reeleição, posição que Kassab disputa com o atual vice e correligionário, Felício Ramuth (PSD), e André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa.
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O governador teria ficado irritado ainda com o vazamento da informação de que Ramuth é investigado pela Justiça de Andorra, sob suspeita de ter lavado mais de US$ 1,6 milhão (cerca de R$ 8,3 milhões), o que ele nega. Na segunda-feira (23), questionado pela imprensa, Tarcísio disse que "fofoca antes de eleição sempre tem" e negou que o caso influencie na formação da chapa.
Integrantes da base especulam que o vazamento possa ter partido de Kassab ou de André, para minar as chances de Ramuth de continuar no cargo. Procurado pela reportagem, o presidente da Alesp negou com veemência qualquer participação no episódio. "Isso não faz parte da minha í ndole. Jamais faria", disse.Kassab também negou envolvimento, por meio de sua assessoria. "Kassab nega e lamenta o baixíssimo nível das intrigas apócrifas que circulam", afirmou.

Foto: Reprodução
O secretário e o governador não quiseram comentar o desgaste na relação. Como secretário de Governo, pasta responsável por controlar a verba de emendas e convênios e repassá-las para prefeituras, Kassab chegou a multiplicar por sete o número de prefeitos filiados ao PSD, como mostrou a Folha de S.Paulo.
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Integrantes de outros partidos, insatisfeitos com o apetite do secretário, passaram a dizer que ele usava sua influência na gestão para atrair filiados à sua legenda. Kassab também foi acusado de facilitar a liberação de convênios para prefeitos do PSD. Esse movimento irritava Tarcísio, que afirmava a interlocutores, até meados do ano passado, que seu secretário "vendia na praça" um comando da máquina pública que não detinha.