Monitoramento do volume de água que chega aos rios dita trabalhos de resgate e instruções à população, a fim de evitar nova crise
Em meio ao receio de autoridades no Nepal e no Tibete de que uma nova enchente possa ocorrer nas áreas afetadas pela enxurrada de quarta-feira, um segundo lago de água represada recém-formado foi descoberto nesta sexta-feira — elevando temores que motivaram ordens de suspensão das buscas de equipes nepalesas e chinesas, e recomendações às populações locais para se dirigirem a áreas mais altas.
A Autoridade de Gestão de Desastres do Nepal monitora o segundo corpo d'água, localizado em um trecho do curso do rio abaixo do primeiro lago, identificado por especialistas ainda na quarta-feira. A rede de TV americana CNN exibiu imagens registradas por uma equipe de resgate chinesa, em que é possível ver o acúmulo de água barrenta, abastecido por água escoada do primeiro lago. Com as chuvas que caem na região e a previsão de mais precipitação nos próximos dias, estima-se que o novo lago vá superar os 5 milhões de metros cúbicos do primeiro — que já é equivalente a cerca de 2 mil piscinas olímpicas.
A Cordilheira do Himalaia é pontilhada por milhares de lagos glaciais, o que representa risco constante de enchentes caso grandes volumes de detritos despenquem sobre eles. A região é conhecida por ser propensa a desastres naturais.
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Cientistas afirmam que o volume de água represado nos dois lagos identificados em áreas ao redor da montanha Langtang Lirung não é irrelevante, e poderia criar novas inundações rio abaixo. Embora haja a hipótese de que o lago rompa ou transborde — como as autoridades chinesas e nepalesas disseram ter ocorrido com o primeiro nesta sexta —, alguns especialistas apontam que o monitoramento atual provavelmente faria com que uma segunda torrente fosse menos letal.
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— Eles estão rodando modelos de possíveis enchentes e monitorando visualmente o crescimento do lago — disse Alton Byers, pesquisador associado sênior do Instituto de Pesquisa Ártica e Alpina da Universidade do Colorado em Boulder, em entrevista ao New York Times.
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O Nepal contabilizou até o momento 579 mortos no país, e continua na busca por cerca de 1,9 mil pessoas dadas como desaparecidas. A China também avança com buscas na região autônoma do Tibete, mas controla a informação. Apenas cinco mortes foram confirmadas pelas autoridades, com centenas de desaparecidos. A tragédia é a mais letal no Nepal desde o terremoto de 2015, que deixou quase 9 mil mortos. Em 1993, enchentes históricas mataram mais de 1,3 mil pessoas.