Menor consumo de doces em países desenvolvidos pressiona mercado global, enquanto demanda por proteínas dispara
Os preços internacionais do açúcar atingiram o menor patamar em mais de cinco anos, em meio a uma mudança significativa no comportamento do consumidor impulsionada pelos medicamentos para perda de peso conhecidos como GLP-1. A combinação entre menor apetite por alimentos açucarados e produção global estável pressionou as cotações no mercado internacional.
Os contratos futuros do açúcar bruto negociados em Nova York recuaram para menos de 14 centavos de dólar por libra, o nível mais baixo desde outubro de 2020 e menos da metade do pico registrado no fim de 2023.
Segundo analistas e traders do setor, a queda reflete uma desaceleração mais intensa do que o esperado no consumo de açúcar nos Estados Unidos e em outras economias desenvolvidas. Em países emergentes, embora a demanda ainda cresça, o ritmo está abaixo das projeções anteriores.
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EFEITO DOS MEDICAMENTOS GLP-1
As injeções à base de GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon 1) atuam aumentando a sensação de saciedade e reduzindo o apetite — inclusive por alimentos ricos em açúcar. Esses compostos são utilizados em medicamentos como Wegovy, Ozempic, ambos da farmacêutica Novo Nordisk, além de Mounjaro e Zepbound, da Eli Lilly.
Especialistas afirmam que o impacto foi mais rápido e profundo do que o previsto. Gurdev Gill, da corretora Marex, destacou que México e Estados Unidos apresentaram os sinais mais claros de retração no consumo, enquanto os dados europeus também vêm decepcionando.
Embora o consumo de açúcar já estivesse em declínio gradual nos mercados desenvolvidos devido à busca por hábitos mais saudáveis, os GLP-1s parecem ter acelerado essa transição. Em relatório divulgado em dezembro de 2025, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos reduziu sua estimativa de uso de açúcar para 12,3 milhões de toneladas até 2026 23 mil toneladas a menos que a previsão anterior.
MERCADO VULNERÁVEL
O mercado de açúcar é particularmente sensível a mudanças de hábito porque grande parte do consumo está concentrada em um grupo reduzido de consumidores. Estimativas apontam que os 20% maiores consumidores respondem por cerca de 65% das vendas de produtos como biscoitos e sorvetes. Se esses chamados “superconsumidores” passam a usar medicamentos que reduzem o apetite, o impacto nas vendas se torna desproporcional.
Mesmo com a produção global mantendo-se relativamente estável em torno de 180 milhões de toneladas por ano com destaque para Brasil e Índia os preços acumulam forte queda. Não há, até o momento, sinalizações relevantes de corte de produção, já que o cultivo da cana-de-açúcar exige investimentos elevados e ciclos longos, além de contar com subsídios em diversos países.
As posições vendidas no mercado futuro apostas na queda de preços aumentaram significativamente no fim do ano passado e estão próximas do maior nível em cinco anos, refletindo um sentimento amplamente pessimista.
PROTEÍNAS EM ALTA
Enquanto o açúcar perde valor, o setor de proteínas vive o movimento oposto. A demanda por produtos ricos em proteína, especialmente derivados do soro de leite, disparou. O uso de GLP-1s, aliado à preocupação médica de que parte do peso perdido possa incluir massa muscular, tem levado especialistas a recomendar maior ingestão proteica.
Com isso, os preços de concentrados e isolados de soro de leite amplamente utilizados em pós e barras proteicas atingiram níveis próximos a recordes na Europa e nos Estados Unidos. No Reino Unido, por exemplo, as vendas de queijo cottage cresceram cerca de 50% em janeiro na comparação anual.
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Analistas afirmam que a indústria de alimentos já começa a se adaptar, reformulando produtos e priorizando densidade nutricional em vez de volume. Para o setor, a transformação não é vista como tendência passageira, mas como uma mudança estrutural no padrão de consumo global.