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Baleia percorre mais de 15 mil km entre Brasil e Austrália e quebra recorde de migração
Foto: Freepik/ Reprodução

Baleias-jubarte fotografadas de cima por um drone na costa do Hawaii

Uma pesquisa publicada na revista científica Royal Society Open Science revelou uma das mais impressionantes jornadas já registradas entre baleias-jubarte. De acordo com o estudo, um exemplar da espécie percorreu mais de 15 mil quilômetros entre o litoral da Bahia e a costa da Austrália, estabelecendo um novo recorde mundial de migração.

 

Os pesquisadores identificaram que uma baleia fotografada no Banco de Abrolhos, no sul da Bahia, em agosto de 2003, foi avistada novamente anos depois em Hervey Bay, na costa leste australiana. A distância mínima entre os dois pontos é de aproximadamente 15.100 quilômetros.

 

Segundo os cientistas, a marca supera em cerca de 15% o recorde anteriormente conhecido para a espécie, tornando-se uma das maiores viagens já documentadas entre mamíferos marinhos.

 

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Para chegar à conclusão, os pesquisadores analisaram mais de 19 mil fotografias coletadas entre 1984 e 2025 no Brasil e na Austrália. O reconhecimento foi realizado por meio da técnica de fotoidentificação, que utiliza os padrões únicos presentes na parte inferior da cauda das baleias, funcionando como uma espécie de impressão digital natural.

 

O cruzamento das imagens foi feito com o auxílio da plataforma colaborativa Happywhale, que utiliza algoritmos de reconhecimento para comparar registros de baleias feitos por pesquisadores e observadores em diferentes regiões do planeta.

 

Além do recorde de distância, o estudo documentou pela primeira vez um intercâmbio bidirecional entre populações reprodutivas de baleias-jubarte do Atlântico Sul e do Pacífico Sul, algo considerado raro pelos especialistas.

 

Os autores da pesquisa apontam que fatores como as mudanças climáticas, alterações na distribuição do krill — principal alimento das baleias — e a recuperação populacional da espécie após o fim da caça comercial podem estar favorecendo encontros entre grupos que antes permaneciam mais isolados.

 

A baleia-jubarte (Megaptera novaeangliae) é conhecida por realizar longas migrações entre áreas de alimentação e reprodução. Em média, a espécie vive entre 45 e 60 anos, embora alguns indivíduos possam ultrapassar essa faixa e alcançar até um século de vida.

 

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A descoberta oferece novas informações sobre o comportamento migratório desses gigantes dos oceanos e pode ajudar cientistas a compreender melhor como as populações da espécie estão se adaptando às transformações ambientais observadas nas últimas décadas.
 

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