Medidas em análise podem impor restrições a instituições com falhas em segurança cibernética para reduzir o risco de fraudes.
O Banco Central (BC) avalia implementar novas medidas para aumentar a segurança do Pix e reduzir o risco de ataques cibernéticos. As propostas em discussão preveem restrições para bancos, fintechs e empresas de tecnologia que apresentem fragilidades na proteção de seus sistemas.
Entre as mudanças estudadas estão a limitação de valores e horários para determinadas operações, a restrição ao registro de novas chaves Pix por instituições consideradas de maior risco e, em situações mais graves, até a suspensão temporária do acesso ao Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI).
A iniciativa ganhou força após uma sequência de ataques hackers que expôs vulnerabilidades em empresas responsáveis por conectar instituições financeiras à infraestrutura do Pix. Segundo estimativas do mercado, os prejuízos provocados por fraudes cibernéticas ultrapassaram R$ 1,5 bilhão nos últimos 12 meses.
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Um dos casos mais emblemáticos foi o ataque à C&M Software, empresa que presta serviços de integração ao sistema do Banco Central. O episódio resultou no desvio de aproximadamente R$ 800 milhões e reforçou a preocupação com a segurança de empresas intermediárias, consideradas pontos mais vulneráveis da cadeia financeira.
Mesmo com o endurecimento das normas de segurança adotadas pelo BC ao longo de 2025, novas tentativas de invasão continuaram sendo registradas. Entre os episódios recentes estão ataques direcionados a fintechs e empresas do setor financeiro, levando a autoridade monetária a emitir alertas aos participantes do sistema.
A proposta prevê um tratamento diferenciado para as instituições financeiras. Empresas que demonstrarem padrões elevados de segurança continuarão operando normalmente, enquanto aquelas que apresentarem falhas recorrentes poderão sofrer restrições até comprovarem a adoção de controles mais rígidos.
Durante evento promovido pelo Banco Central, o diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, destacou que a segurança cibernética tornou-se uma prioridade para preservar a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional. Já o diretor de Fiscalização, Ailton Aquino, afirmou que os riscos cibernéticos figuram entre as maiores preocupações da autoridade monetária e que a agenda regulatória continuará sendo fortalecida.
Especialistas avaliam que as mudanças representam uma nova etapa na evolução do Pix, que deixou de ser apenas um meio de pagamento para se tornar uma infraestrutura essencial da economia brasileira. Para o advogado Tiago Severo, especialista em regulação financeira, exigir padrões mínimos de segurança tecnológica pode aumentar a proteção dos usuários, desde que as novas exigências sejam equilibradas para preservar a concorrência e a inovação no setor.
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Antes de qualquer alteração entrar em vigor, o Banco Central deverá discutir as propostas com representantes do mercado financeiro, buscando conciliar maior proteção contra fraudes com a manutenção da eficiência e da competitividade do Pix.