Copom promove quarta redução consecutiva da taxa básica, mas adota discurso cauteloso diante da inflação, do cenário internacional e das incertezas econômicas.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (5), reduzir a taxa básica de juros (Selic) de 14,25% para 14% ao ano. Esta é a quarta queda consecutiva de 0,25 ponto percentual, totalizando um recuo de um ponto percentual desde o início do atual ciclo de flexibilização monetária, iniciado em março.
Apesar da nova redução, o Banco Central evitou antecipar quais serão os próximos passos da política monetária. Em comunicado, o Copom destacou que o cenário econômico ainda exige cautela devido às incertezas no ambiente internacional, aos riscos para a inflação e ao contexto político e fiscal brasileiro.
Segundo a autoridade monetária, os indicadores mais recentes mostram desaceleração da inflação e sinais de moderação da atividade econômica. No entanto, o mercado de trabalho continua aquecido e a inflação permanece acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, fatores que justificam uma postura prudente nas próximas decisões.
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O ciclo de cortes começou após a Selic permanecer por cerca de nove meses em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas. Com a nova decisão, a taxa atinge seu menor nível desde março de 2025.
Entre os fatores que influenciaram o corte estão os resultados mais favoráveis do IPCA e do IPCA-15, além da redução no ritmo de geração de empregos formais observada ao longo de 2026. Mesmo assim, o Banco Central ressaltou que as expectativas para a inflação dos próximos anos seguem acima da meta, especialmente para 2027 e 2028, mantendo a preocupação com a trajetória dos preços.
O Copom também destacou que continua monitorando riscos externos, como os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços internacionais, além das incertezas relacionadas às condições fiscais do país e aos impactos de eventos climáticos, como o El Niño, sobre a inflação.
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A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Atualmente, a meta oficial é de 3% ao ano, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. O Comitê reforçou que as próximas decisões dependerão da evolução dos indicadores econômicos e do comportamento da inflação, sem antecipar se haverá novos cortes nas reuniões seguintes.